sexta-feira, 4 de julho de 2008

Seqüestro longo pode explicar bom estado de Betancourt, diz psicóloga

Segundo especialista, libertados após poucos meses apresentam mais sintomas.
Psicóloga colombiana Dary Nieto já atendeu centenas de vítimas de seqüestros.

O fato de terem sido mantidos muitos anos em cativeiro pode ser o motivo pelo qual Ingrid Betancourt e os outros reféns libertados na quarta-feira (2) na Colômbia estão em aparente bom estado emocional, explica a psicóloga colombiana Dary Nieto, em entrevista telefônica concedida de Bogotá ao G1.

Ela trabalha desde 2000 na Fundação País Livre, atendendo a cerca de 250 vítimas de seqüestro ao ano. Já teve casos de pessoas que ficaram seis anos seqüestradas, como Ingrid, e garante que quem esteve refém por vários anos sai do cativeiro em melhor estado do que quem só esteve preso por alguns meses.


Sintomas

“Os liberados nos primeiros quatro ou cinco meses tem mais sintomas (psicológicos)", afirma. "A aceitação do seqüestro tem várias etapas. Depois de muito tempo, a pessoa vai aceitando e se acostumando fisica e psicologicamente à nova situação. Ele perde peso e cria resistência emocional, cria uma fortaleza interna.”

A fase inicial é mais complicada. “Até quatro e cinco meses, as pessoas seqüestradas sentem muita raiva. Após vários anos, elas ultrapassam essa fase, reavaliam a noção de cotidiano. É como se já estivessem em outra dimensão. É uma fortaleza muito linda”, observa, ressaltando que o grau de espiritualidade e intelectualidade do refém é determinante no processo de aceitação do cativeiro."

Readaptação

Dary aponta, por outro lado, que o processo de autoproteção pode dificultar a readaptação à vida normal depois da libertação. “Em alguns casos, a fortaleza individual que constróem faz com que eles desconheçam seu entorno."

Reféns libertados após muitos anos, que são comuns na Colômbia, podem apresentar dificuldade para se reinserir no núcleo familiar e para restabelecer relação com esposas, maridos e filhos.

“Nestes casos, houve uma ausência total de tudo que é uma parceria, uma vida em casal”, observa Dary. “Também as crianças, ao mesmo tempo em que esperavam ansiosamente pela volta dos pais, podem ter dificuldade em aceitar que devem novamente levar sua autoridade em consideração.” Ela explica que há casos em que não há problema algum de readaptação, mas que o apoio terapêutico sempre é recomendável.

Acampamentos das Farc

A psicóloga atende a vítimas de seqüestro de todos tipos, políticos ou puramente extorsivos, que são o tipo mais comum no país. Graças ao contato com pacientes que estiveram nas mãos das Farc, ela sabe exatamente como os reféns da guerrilha são tratados.

“Varia muito a forma como esses grupos tratam os seqüestrados. No caso das Farc, eles ficam em acampamentos. A maioria fica na selva, sob as intempéries, com roupas úmidas, sem visão direta do sol, o que os enfraquece muito”, conta. “Somente em alguns momentos tem comida ‘boa’, ou seja, com alguma proteína, por exemplo. Geralmente eles só comem massa e lentilhas ou, se é numa região mais quente, mandioca”.

Apesar de sofreram maus tratos, segundo Dary, os ex-reféns das Farc, num primeiro momento, geralmente sentem pena dos seqüestradores. “Há o sentimento de lástima em relação aos seqüestradores, que muitas vezes são pessoas de 14 a 16 anos. Sentem pena de que aquelas pessoas levem esta vida”, conta. “Depois há uma etapa em que fazem um balanço de tudo que passaram e sentem raiva. Mas há outros que sentem agradecimento por alguns seqüestradores. Há momentos em que um copo d’água, um remédio que algum seqüestrador possa ter arranjado vale muita coisa”, conclui.

Dois dias depois de resgatada das Farc, Ingrid Betancourt chega a Paris

Antes de chegar, ex-refém da guerrilha disse que devia sua vida à França.
Em praça da capital, ela simbolicamente retirou cartaz com sua foto como refém.

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt e seus familiares chegaram nesta sexta-feira (4) a Paris, dois dias depois de ela ter sido libertada da guerrilha na selva colombiana.

Ingrid, que é franco-colombiana, foi recebida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pela primeira-dama, Carla Bruni, no aeroporto de Villacoublay, no subúrbio de Paris.

Logo depois de desembarcar, Ingrid disse que "chorou muito" durante seu cativeiro de mais de seis anos, mas que, agora, "chorava de alegria" na chegada ao país. Ela disse também que iria se lembrar do momento por "muito e muito tempo".

Sarkozy afirmou que "toda a França está feliz" pela chegada de Ingrid ao país.

Viajaram com a ex-refém desde Bogotá seus filhos, Mélanie e Lorenzo, sua irmã, Astrid, sua mãe, Yolanda Pulecio, e seu ex-marido, Fabrice Delloye. O chanceler francês, Bernard Kouchner, também estava no avião.

Durante a viagem, a ex-candidata presidencial colombiana disse a jornalistas que "devia sua vida" à França. "Se a França não tivesse lutado por mim, eu não estaria fazendo esta viagem extraordinária", disse, quase na chegada a Paris.
Sorridente, vestida de tailleur claro, Ingrid revelou que conseguiu dormir no Airbus presidencial, mesmo depois do "turbilhão" da véspera, quando reencontrou seus filhos após mais de seis anos de cativeiro.
"A França foi meu apoio não somente do ponto de vista moral como também por seu peso, por ter recusado qualquer operação militar e impedido o governo colombiano de lançar operações militares para libertar reféns pela força", disse.


Ela citou o caso de um de seus companheiros de cativeiro que fugiu, mas foi pego e fuzilado. "Se a França não estivesse por trás, provavelmente eu teria tido o mesmo destino", afirmou.


Ela reiterou seu desejo de encontrar o papa. "Irei ao Vaticano assim que me disserem que poderei abraçar o papa". A idéia de tocar o Papa, é de estar um pouquinho mais perto de Deus, é uma maneira de dizer 'obrigada'".

Ela voltou a ser evasiva sobre a possibilidade de voltar à política. "Por enquanto, eu me vejo longe dela. Mas continuo tendo vontade de servir os colombianos", disse.

No Eliseu

Ingrid pediu a Sarkozy e aos comitês mobilizados para conseguir sua liberdade que continuem lutando pelos reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na selva colombiana.

Foto: Benoît Tessier/Reuters

"Ali, deixei seres humanos que permanecem nas mãos das Farc. Portanto, continuo precisando de vocês", disse. "Necessito contar com o presidente Sarkozy para que retorne à Colômbia".


Betancourt disse que Sarkozy deverá voltar a falar com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e pediu aos representantes franceses que intercedessem por ela perante as Farc voltando à selva.

Sarkozy respondeu dizendo que irá à América do Sul para agradecer aos governantes de Colômbia, Venezuela, Equador e Argentina pela libertação de Ingrid e "falar do futuro".

Ela explicou que a situação é particularmente ruim desde que as Farc se negaram a falar com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, e "ainda menos" com Uribe.

Cartaz

O prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, e milhares de pessoas comemoraram o resgate de Ingrid na prefeitura, diante de um cartaz da ex-candidata sobre o qual foi colocado um letreiro com a palavra "livre".

Sob aplausos, Ingrid retirou o cartaz, num ato simbólico. (assista ao vídeo ao lado)

Acorrentada

Antes de embarcar para a França, ela contou em uma entrevista que permaneceu acorrentada 24 horas por dia durante três anos, e que em alguns momentos era submetida a maus-tratos, mas que apesar de tudo tentou "viver com dignidade".

"Tentava carregar as correntes e viver com dignidade, mas às vezes me dava conta de que era insuportável", disse Betancourt em entrevista para a emissora de rádio francesa Europe 1, pouco antes de deixar a Colômbia com destino à França.

"Senti que existe a tentação de se abandonar a comportamentos demoníacos (...); acredito que é preciso conservar uma grande espiritualidade para não cair no abismo", disse a ex-refém. "Usei algemas o tempo todo, as 24 horas do dia, durante três anos", acrescentou.

Questionada sobre as humilhações às quais foi submetida, respondeu que "havia momentos de maus-tratos", e disse que o tratamento que recebia dos guerrilheiros "era variável" e que "sabia que em qualquer momento esse lado cruel podia surgir".

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Refém das Farc por mais de 6 anos, Ingrid Betancourt é resgatada

Ex-candidata à presidência da Colômbia foi solta com mais 14 reféns, diz governo.
Segundo ministro, guerrilheiros foram enganados por militares infiltrados no grupo.

A franco-colombiana Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência da Colômbia e refém das Farc há mais de seis anos, foi resgatada nesta quarta-feira (2).

Ela foi libertada junto com três norte-americanos e mais outros 11 militares colombianos, segundo o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos. O anúncio da libertação foi confirmado logo depois pelo governo francês, que participava de negociações anteriores.

Os norte-americanos libertados são Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, seqüestrados em 2003 quando realizavam uma missão antidrogas na floresta de Caquetá, no sudeste do país.

De acordo com o ministro, todos estão em boas condições de saúde e nenhum tiro foi disparado durante o resgate, que foi feito com a ajuda de três helicópteros.

"Seguimos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Apelamos para os atuais líderes da Farc para que não se deixem matar, liberem os outros seqüestrados e não sacrifiquem seus homens", disse o ministro em Bogotá.

Foto: Arte/G1

Os resgatados já teriam chegado na base militar de Toleimada, no centro do país. Lá, eles seriam recebidos pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe.

Infiltrados

Segundo o ministro colombiano da Defesa, o Exército da Colômbia se infiltrou na cúpula das Farc para libertar os quinze seqüestrados, enganando dois rebeldes e fazendo com que eles acreditassem que iam a um encontro com o chefe máximo rebelde, Alfonso Cano.

Ele disse que os militares infiltrados haviam feito um acordo com o comandante César, das Farc, para supostamente levar os cativos de helicóptero até o lugar onde estaria Cano, chefe da guerrilha desde maio passado, quando morreu Manuel Marulanda, o Tirofijo, fundador do grupo.

Lorenzo Betancourt, filho de Ingrid, disse que espera "de todo coração" que seja verdadeira a notícia da libertação. "Estou aguardando mais informações. Espero que seja verdade, de todo coração", disse à agência EFE.

Ingrid Betancourt nasceu em Bogotá, estudou em Paris e hoje tem 46 anos - dos quais os últimos seis passou no meio da mata, vivendo em condições precárias como refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A parlamentar havia sido seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002 na região de Caquetá e, hoje, acredita-se que esteja com malária, leishmaniose e hepatite B.

Betancourt é uma das mais importantes reféns que as Farc mantinham em cativeiro - faz parte do grupo de 40 prisioneiros políticos passíveis de troca por guerrilheiros presos pelo governo colombiano. Além disso, há centenas de outras pessoas seqüestradas pela guerrilha por motivos financeiros.

O resgate é um trunfo político na mão do presidente Uribe, que endureceu contra a guerrilha e aliou-se com os EUA, que investiram bilhões de dólares para colocar os rebeldes na defensiva, combater a criminalidade e investir no desenvolvimento do país.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

ONU condena violência contra oposição ao Governo do Zimbábue

Nações Unidas, 23 jun (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU condenou hoje a violenta campanha contra a oposição ao Governo do Zimbábue e assegurou que isto torna impossível que as eleições presidenciais de 27 de junho sejam "livres e justas".

O texto estipulado pelos 15 membros do principal órgão das Nações Unidas após intensas negociações pede que Harare dialogue para obter a formação de um Governo "legítimo", mas sem exigir o adiamento do pleito, como queriam países ocidentais.

"O Conselho de Segurança, além disso, condena as ações do Governo do Zimbábue com as quais foi negado aos opositores políticos o direito de fazer campanha em liberdade", e pede ao regime de Robert Mugabe "para interromper a violência".

O texto também pede ao Governo zimbabuano para rever a decisão de proibir temporariamente as operações das organizações humanitárias, o que, segundo a ONU, colocou em risco mais de 1,5 milhão de pessoas que dependem desta assistência, devido à grave situação econômica do país.

A declaração adverte de que qualquer futuro Governo em Harare "deve respeitar os interesses de todos os cidadãos" para ser legítimo e exige que sejam respeitados os resultados do primeiro turno, realizado em 29 de março, no qual venceu a oposição.

O vencedor na ocasião, o líder opositor Morgan Tsvangirai, se refugiou hoje na embaixada holandesa em Harare, após anunciar, no domingo, que retirava sua candidatura por causa da violência sofrida por seguidores do partido por parte do Governo de Mugabe.

Em discurso no Conselho de Segurança, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe, afirmou que este fato leva a crise política zimbabuana a "um nível alarmante", após os assassinatos, agressões e restrições sofridos pela oposição.

"As condições para eleições livres e justas não existem e é nossa opinião que se deve adiar sua realização", acrescentou.

A retirada de Tsvangirai provocou uma onda de reações de protesto, particularmente nas capitais ocidentais, que pediram que se aumente a pressão sobre o Governo de Mugabe.

Fontes diplomáticas disseram que foi a gravidade da situação que permitiu, pela primeira vez, superar a recusa da África do Sul a levar ao Conselho de Segurança o tema do Zimbábue, apesar do drama humanitário e político que o país vizinho vive nos últimos anos.

"Estamos muito agradecidos a nossos colegas, particularmente os representantes da África, por ter podido enviar uma mensagem clara", afirmou o embaixador dos Estados Unidos perante a ONU, Zalmay Khalilzad, na saída da reunião do Conselho, que durou quase cinco horas.

Pretória, que ocupa um dos dois assentos da África no órgão, afirma que a crise zimbabuana é um assunto interno que não diz respeito ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

De fato, conseguiu que se eliminasse do texto um parágrafo que reconhecia Tsvangirai como vencedor das eleições por ter ganhado o primeiro turno e também uma menção direta à necessidade de adiar a segunda rodada do pleito.

O embaixador da África do Sul perante a ONU, Dumisani Kumalo, ressaltou que o texto também apóia a mediação do presidente sul-africano, Thabo Mbeki.

"Tudo o que queremos é ajudar, com nossa mediação, os zimbabuanos para que resolvam seus problemas", destacou.

Por sua parte, o embaixador do Zimbábue perante a ONU, Boniface Chidyausiku, rejeitou que a declaração do Conselho tenha qualquer efeito no calendário eleitoral do país.

"Reconhecemos a preocupação, mas no que diz respeito às eleições, essas seguem em frente", acrescentou.

Esta não é a reação de Harare esperada pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que hoje ameaçou as autoridades zimbabuanos a adiar a eleição.

O maior responsável da ONU desaconselhou com firmeza Harare seguir em frente com o segundo turno, ao considerar que "somente faria aprofundar a divisão no país e produzir resultados sem credibilidade".

Em um encontro com a imprensa anterior da reunião do Conselho, Ban exigiu o fim "da violência e da intimidação", porque "o povo zimbabuano tem o direito de viver em paz e em segurança".

Aumenta pressão para que Zimbábue adie eleições presidenciais

HARARE (Reuters) - Aumentavam na terça-feira, dentro da África, as pressões para que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, adiasse as eleições marcadas para o dia 27 de junho depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) ter adotado, pela primeira vez, um texto condenando a prática no país de atos violentos contra opositores.

Tanto o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, quanto Jacob Zuma, líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA, que controla a África do Sul atualmente), disseram que o segundo turno das eleições presidenciais deveria ser suspenso depois de Morgan Tsvangirai, candidato da oposição, ter se retirado da disputa e buscado abrigo na Embaixada da Holanda em Harare.

Em um comunicado, Wade afirmou que Tsvangirai tinha procurado abrigo depois de receber informações sobre a chegada iminente de soldados a sua casa. "Ele só está em segurança porque, alertado por amigos, saiu correndo dali alguns minutos antes", afirmou Wade.

Zuma, um adversário do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, defendeu a intervenção urgente da ONU e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), afirmando que a situação no Zimbábue encontra-se fora de controle.

"Para o CNA, o segundo turno não representa mais uma solução. Os senhores precisam antes selar um acordo político para então realizar eleições", disse Zuma.

Os 15 países que integram o Conselho de Segurança repetiram a preocupação cada vez maior da comunidade internacional com a instabilidade política e a crise econômica no Zimbábue, problemas atribuídos pela oposição e pelo Ocidente a Mugabe, 84, no poder há 28 anos.

A África do Sul, a China e a Rússia, que haviam antes impedido que o órgão adotasse qualquer medida a respeito do Zimbábue, aceitaram o texto condenando de forma unânime o derramamento de sangue naquele país.

Tsvangirai não pediu asilo, mas passou uma segunda noite na embaixada holandesa, na segunda-feira. No dia seguinte, o oposicionista afirmou à Rádio 1, da Holanda, estar no local em caráter temporário e que o governo havia dado garantias ao embaixador da Holanda sobre a segurança dele.

O ex-candidato à Presidência afirmou que sairia do local dentro de alguns dias e que Mugabe não poderia mais desafiar a opinião pública internacional.

Os chanceleres dos países-membros da SADC discutiram a crise em um encontro realizado na segunda-feira, em Luanda (capital de Angola).

A agência angolana de notícias Angop disse que, segundo o secretário-executivo da SADC, Tomaz Salomão, a comunidade havia concordado com Tsvangirai sobre existir um "clima de extrema violência" no Zimbábue e sobre o governo precisar proteger seus cidadãos.

Em um texto que não tem poder de lei, o Conselho de Segurança condenou a "campanha de violência contra a oposição política, o que resultou no assassinato de vários ativistas da oposição e de outros zimbabuanos, além do espancamento de milhares de pessoas, entre as quais mulheres e crianças, e a expulsão delas de suas casas."

Presidente do Zimbábue diz que quer negociar com oposição após 2º turno

Apesar das pressões internacionais, Robert Mugabe descartou adiar as eleições.
Oposicionista segue refugiado na embaixada holandesa, e a tensão no país cresce.
Foto: The New York Times
The New York Times
Morador do Zimbábue mostra bolo que ele diz ter comprado por um bilhão de dólares zimbabuanos nesta terça-feira (24) em Harare. O país tem uma inflação aproximada de 165.000% ao ano.

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, disse nesta terça-feira (24) que está disposto a negociar com a oposição, mas só depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para a próxima sexta-feira, segundo a imprensa oficial.

"Estamos aberto, abertos a uma discussão, mas temos nossos princípios", disse em duas reuniões eleitorais. "Se a oposição tem problemas, eles podem falar."

O candidato oposicionista, Morgan Tsvangirai -que iria disputar a eleição contra o próprio Mugabe- retitou sua candidatura no domingo, alegando que a escalada da violência praticada pelo governo durante a campanha eleitoral colocou em risco a vida dos oposicionistas e tirou a legitimidade do processo.

Depois do anúncio, Tsvangirai teve de se refugiar na embaixada holandesa em Harare. Na segunda-feira, a sede do seu partido foi invadida por policiais, que prenderam ao menos 36 militantes, alegando "motivos sanitários".

Mais cedo nesta terça, Mugabe havia dito que não iria adiar o segundo turno, mesmo com as pressões das Nações Unidas e de países como os EUA para que isso acontecesse.

"Os países ocidentais podem gritar tudo o que quiserem, mas as eleições seguirão adiante", disse Mugabe durante um ato do partido do governo. "Aqueles que quiserem reconhecer nossa legitimidade podem fazê-lo, mas quem não quiser, que não faça."

Segundo o ministro da Justiça do Zimbábue, Patrick Chinamasa. o pedido oficial de retirada da candidatura oposicionista, feito nesta terça, chegou "tarde demais".

A decisão do regime de Mugabe de manter o segundo turno ocorre apesar da pressão internacional pelo adiamento da votação. Nesta terça-feira, o embaixador americano nas Nações Unidas disse que o Conselho de Segurança vai considerar medidas contra o Zimbábue se o país ignorar a recomendação que declara que uma eleição "livre e justa" é impossível no país. Ele não quis esclarecer quais seriam essas medidas.

Primeiro turno

A Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC) havia anunciado em 2 de maio que Tsvangirai tinha obtido 47,9% dos votos no primeiro turno, contra 43,2% do presidente do país, Robert Mugabe, e era necessária uma segunda rodada de votação, porque nenhum candidato superava os 50% necessários para uma maioria direta.

O MDC afirmou que Tsvangirai ganhou o primeiro turno com 50,3% dos votos, e que a apuração tinha sido um "assalto à mão armada". Além disso, antecipou que poderia "arrasar" no segundo turno.

No entanto, a campanha de ataques e intimidação contra a oposição em todo o país a fim de evitar uma nova derrota do chefe de Estado gerou dúvidas de que as eleições possam ser livres e justas.

Tsvangirai anunciou no domingo passado que estava se retirando das eleições, pois, segundo ele, participar significava risco de "agressões físicas e até a morte para os partidários do MDC".

"As milícias, os veteranos da guerra da independência e o próprio Mugabe deixaram claro em várias ocasiões que qualquer um que vote em mim no segundo turno das eleições enfrenta uma possibilidade bastante real de ser assassinado", disse Tsvangirai, em entrevista coletiva.

Horas após seu anúncio, Tsvangirai se refugiou na Embaixada da Holanda em Harare, porque sua vida corria perigo, e continua no local. Mas ele não pediu asilo diplomático à Holanda, segundo seus partidários.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

União Européia decide acabar com suas sanções contra Cuba

Objetivo da Europa é estimular as reformas do presidente Raúl Castro na ilha.
Medida cria atrito com os EUA, que já disseram que não é hora de levantar embargo.

A União Européia decidiu nesta quinta-feira (19) eliminar suas sanções contra Cuba, disse a comissária de Relações Exteriores do bloco, Benita Ferrero-Waldner.

"As sanções cubanas serão levantadas", disse ela a jornalistas após um encontro de ministros do Exterior do bloco de 27 países chegar a um acordo em um jantar em Bruxelas. A informação foi confirmada por outros chanceleres do bloco.

A decisão tem como objetivo estimular mais reformas por parte do presidente Raúl Castro, que assumiu o cargo após o afastamento do irmão dele, Fidel, em 24 de fevereiro. A idéia do bloco europeu, segundo esboço do projeto obtido pela agência Reuters, é facilitar um processo de diálogo político "recíproco, incondicional, não-discriminatório e voltado a obter resultados".

Ferrero-Waldner disse, no entanto, que, em contrapartida, a Europa vai insistir para que a ilha avance nas questões dos direitos humanos e da prisão de dissidentes.

O projeto incluiria a exigência da libertação imediata de todos os presos políticos, da adesão de Cuba a todos os tratados das Nações Unidas sobre direitos humanos e da permissão de acesso de entidades de direitos humanos às prisões cubanas.

Existem cerca de 230 prisioneiros políticos em Cuba, segundo a Comissão Cubana para os Direitos Humanos.

Segundo fontes da União Européia, o fim das sanções tem validade de um ano e será revisto depois desse período, e as negociações devem continuar depois disso.

EUA são contrários

A decisão européia de acabar com as sanções foi tomada apesar dos pedidos dos EUA para que o mundo "endureça" com o regime cubano.

"Nós certamente não enxergamos (em Cuba) nenhum rompimento fundamental com a ditadura de Castro que nos dê razão para acreditar que agora é a hora de levantar as sanções", disse o porta-voz do departamento norte-americano de Estado. "Nós não vamos apoiar a União Européia ou qualquer um que queira suavizar as restrições agora."

As medidas da UE haviam sido impostas depois de ações contra os dissidentes em 2003 e incluiem o congelamento das visitas de autoridades de alto nível. Elas haviam sido suspensas em 2005.

Diferentemente do embargo norte-americano que vigora desde 1962, as sanções européias não impediam comércio e investimentos.

A suspensão das medidas coercitivas impostas em 2003 era um ponto defendido pela maioria dos países da União Européia. A Espanha liderou o movimento para levantar as sanções, mas encontrou resistência dos membros ex-comunistas do bloco, como a República Tcheca.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Canção de primeira-dama da França causa mal-estar na Colômbia

Trecho de canção diz: 'você é mais perigosa que cocaína colombiana'.
Para chanceler, afirmação da mulher de Sarkozy é 'muito dolorosa'.

BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia expressou na quinta-feira (12) o seu descontentamento com uma canção da primeira-dama francesa, Carla Bruni, na qual ela faz referência à cocaína produzida ilegalmente no país.

"Você é minha droga. Mais letal que a heroína do Afeganistão e mais perigosa que cocaína colombiana", canta a mulher de Nicolas Sarkozy em um disco que será lançado em julho.

O chanceler colombiano, Fernando Araújo, disse a música faz apologia ao consumo de drogas que trazem morte e violência para o país.

"Consideramos que, na boca da mulher do presidente da França, essa afirmação é muito dolorosa para a Colômbia", disse o diplomata a jornalistas.

"Essa coisas acontecem quando se mistura política com teatro, lamentamos profundamente", acrescentou Araújo, que declarou que a Colômbia não apresentará uma nota de protesto ao governo francês.

A canção está no terceiro disco de Bruni, o primeiro lançado pela ex-modelo desde que se casou com Sarkozy, em fevereiro.

A Colômbia é considerada o país que mais produz cocaína, com 600 toneladas métricas por ano, apesar dos esforços do governo e das Forças Armadas para erradicar as plantações de folha de coca e destruir os laboratórios de produção nas áreas montanhosas e de selva.

Araújo pediu à comunidade internacional que não faça apologia ao consumo de drogas e acompanhe a Colômbia na luta contra as substâncias proibidas.

Ataque com carro-bomba deixa ao menos 51 mortos em bairro xiita em Bagdá

Pelo menos 75 pessoas ficaram feridas, dizem fontes de segurança.
Bomba explodiu próximo a parada de ônibus no bairro xiita de Al-Huriya.

Pelo menos 51 pessoas morreram e 75 ficaram feridas em um atentado com carro-bomba no norte de Bagdá nesta terça-feira (17), segundo a polícia local.

A bomba explodiu em uma movimentada região comercial do bairro xiita de Al-Huriya, próximo a uma parada de ônibus, por volta das 14h30 GMT (11h30 de Brasília).

A explosão incendiou cerca de 20 lojas e derrubou um prédio de vários andares. Pelo menos 15 veículos foram danificados pela explosão, que também provocou um blecaute na área.

Os feridos, entre eles mulheres e crianças, estão sendo socorridos em hospitais próximos, segundo a polícia. Vários deles estão em estado grave.

Autoridades dos Estados Unidos culpam insurgentes da sunita al Qaeda pela maioria dos carros-bombas que explodiram em Bagdá em 2006 e 2007, no auge do conflito sectário no Iraque.

A capital iraquiana tem estado relativamente tranquila desde que uma trégua no dia 10 de maio encerrou semanas de luta entre as forças do Iraque e militantes leais ao clérigo Moqtada al-Sadr.
O último grande atentado no Iraque havia acontecido em 29 de maio, quando pelo menos 20 aspirantes a policiais morreram e 30 ficaram feridos em um ataque suicida próximo a um centro de treinamento na cidade de Sinyar, na fronteira iraquiana com a Síria.

Recentemente, autoridades dos EUA e do Iraque conseguiram uma redução na taxa de violência no país para os níveis mais baixos dos últimos quatro anos.

Autoridades militares dos Estados Unidos e do Iraque dizem que a al-Qaeda está na clandestinidade no Iraque, mas que o grupo continua uma ameaça.

Refugiados contam como vivem no Brasil

Apenas 200 mil brasileiros entendem quem são os estrangeiros no país, segundo a ONU.
Grupos contam o preconceito sofrido por buscar asilo no Brasil.

Um estudo feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) revela que apenas 200 mil brasileiros entendem quem são os asilados e por que estão no nosso país. Na última reportagem da série, veja o difícil recomeço para os refugiados no Brasil. Grupos mostram a dificuldade do recomeço em outro país.

“Medo e temor”, diz um refugiado cubano. “Será que essa vida vai continuar assim?”, indaga um refugiado africano. “Paz”, pede um refugiado iraquiano. Em um apartamento em São Paulo, o sinal de TV vem de longe: do Iraque. Por toda a casa, trechos do Corão estão pendurados em pequenos quadros. Até no relógio, em formato de mesquita.

O iraquiano Samir viveu a infância vendo seu país se destruir na guerra contra o Irã. Fugiu para o Brasil em 1997 e acompanhou o sofrimento dos parentes na guerra contra os Estados Unidos pela televisão. “A guerra acabou com metade da família. Tem um primo meu que estava tomando café. Caiu uma bomba em cima da casa dele. Morreu ele e os cinco filhos dele”, conta Samir, que já conseguiu trazer dois irmãos e três sobrinhos. As crianças chegaram há poucos meses.

O iraniano Issam toma remédios controlados para tratar a depressão, resultado da mistura do medo e da incerteza, diagnosticam os médicos. “Eu fui perguntando. Eu preciso de trabalho, e todo mundo fala isso: ‘Depois eu te ligo’, mas não ligam nada”, reclama.

Discrição

Para diminuir o problema, a ONU recomendou ao governo brasileiro que tente esconder a situação dos refugiados.

“O trabalho que estamos fazendo com o Conare é tirar a palavra ‘refugiado’ do documento de identidade. É uma palavra que gera uma primeira interrogação grande: ‘Por que ele fugiu?’”, afirmou o representante do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Luiz Varese.

Pelo menos, para um grupo de refugiados palestinos, preconceito não é o problema. Eles vieram de um campo de refugiados na Jordânia, onde viveram cinco anos no meio do deserto. Em Sapucaia do Sul, na Grande Porto Alegre (RS), a vida sem destino ganhou forma de milagre.

Sofrimento

Zeid Almadi lembra bem do sofrimento. Ele diz que viviam em barracas, no meio das dunas, e não esquece a fome e as tempestades de areia. Quando chegaram ao Brasil, diz ele, pensavam que estavam no paraíso. Zeid Almadi complementa: vieram para viver o que ainda podem viver.

O desafio agora não é mais sobreviver, mas tentar entender o que acontece à volta. Novos sabores, nova língua, novos costumes – o que for aprendido agora determinará se os palestinos vão ou não se dar bem no Brasil no futuro.

Para eles, tudo precisa começar do zero. Só boa vontade não é suficiente, nem a fama de serem bons vendedores. A língua ainda é a maior barreira.

A cidadania impossível levou Zoilo a fugir de Cuba. Em uma das viagens, ele pediu refúgio em uma embaixada brasileira e abandonou o país. Hoje, o cabeleireiro é disputado pelos donos de salões de beleza da Zona Sul do Rio de Janeiro. “Ganhei uma paz espiritual que não tem preço”, comenta Zoilo. Ele sabe que é uma exceção no mundo dos refugiados e ajudou a conseguir emprego para outro cubano que deixou a ilha. É um enfermeiro cheio de graduações que passa o dia servindo cafezinho.

Medo

“As pessoas têm medo quando fala que é refugiado. Eles temem essa situação, porque eu ia a muitos lugares aqui para conseguir trabalho. Quando falo que sou refugiado, aí...”, diz o enfermeiro.

Olhares machucados pelo horror e sonhos destruídos pela intolerância – apesar de toda a dor vivida por eles, percebemos algo em comum em todos os refugiados que encontramos: eles parecem reconhecer no Brasil um lugar diferente, onde é possível recomeçar.

Brasil nega refúgio a coreano ex-sócio da Asia Motors

Chong Jin Jeon é acusado de fraudes que chegam a R$ 1 bilhão.
Brasil tem 3.510 refugiados de 50 nacionalidades, segundo Ministério da Justiça.

Por unanimidade, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça negou nesta sexta-feira (14) refúgio ao coreano Chong Jin Jeon, ex-sócio da empresa Asia Motors do Brasil, que foi comprada pela Hyundai no Brasil. A empresa alega ter uma dívida de mais de R$ 1 bilhão decorrrente de fraudes praticadas por Chong.

“O Conare estudou exaustivamente o caso e não achou nenhum elemento que indicasse perseguição política. Houve um delito comum, um crime financeiro. Quando chegar ao país dele, que é uma nação democrática, ele terá direito à defesa”, disse o presidente do Conare e secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto.

A extradição de Jeon, pedida pela Coréia, foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado. Mas Jeon não deixou o Brasil porque recorreu da sentença. Segundo o tribunal, Chong foi condenado pela justiça coreana a 10 anos de prisão por crimes de suborno e fraudes.

“O STF entendeu que não havia razão para se temer o retorno de Jeon por questões políticas. Além disso, há uma condenação”, complementou Barreto. Segundo Barreto, a Coréia terá 90 dias, a partir da comunicação do governo brasileiro – que deve ser feita depois da decisão final do Supremo – para providenciar a retirada do coreano. Mas Jeon ainda pode recorrer ao ministro da Justiça, Tarso Genro.

Nesta sexta, o Conare analisa 49 pedidos de refúgio. Ao todo, segundo o órgão, há 3.510 refugiados no Brasil, de 50 nacionalidades.

Outro lado

Em nota oficial enviada, a assessoria de imprensa do advogado Daniel Bialski afirma que "a Hyundai tenta a todo custo culpar Chong Jin Jeon por um desfalque monumental ocorrido na Coréia do Sul".

A assessoria explica, ainda, o pedido de refúgio feito pelo advogado para seu cliente, Jeon. "Com a eleição de Myung-bak, ex-alto executivo da Hyundai, para a presidência da Coréia, o advogado de Jeon aqui no Brasil, Daniel Bialski, passou a temer pela vida de seu cliente caso ele seja extraditado para seu país natal", diz o documento.

Leia a íntegra da nota:
"Sobre a notícia publicada há pouco no G1 sob o título “Brasil nega refúgio a coreano ex-sócio da Asia Motors”, a verdade é que a Hyundai tenta a todo custo culpar Chong Jin Jeon por um desfalque monumental ocorrido na Coréia do Sul.

À cúpula da Hyundai interessa ter Jeon condenado e preso, já que a companhia (que sucedeu à Asia Motors Company) havia autorizado um aumento de capital da joint venture criada no Brasil para implantar uma fábrica de carros em Camaçari (Bahia), na década de 1990, que nunca saiu do papel, mas passou a negar que tivesse dado tal autorização quando percebeu que era verossímil dizer que a empresa foi à lona na Coréia por causa de “desvios” no Brasil. No entanto, essa tese é insustentável.

A verdade — que inclusive pode ser verificada no noticiário da época — é que os coreanos da matriz se comprometeram com o governo brasileiro a construir a fábrica, mas deixaram de remeter a parte de dinheiro que deviam. Deram um calote nos sócios brasileiros e no governo brasileiro, que havia subsidiado o projeto. Também para as autoridades brasileiras culpar Jeon e negar-lhe o status de refugiado tornou-se um bom negócio, já que não teriam como justificar rios de dinheiro concedidos sob a forma de benefícios fiscais, nem de entra em litígio com a poderosa Hyundai.

Com a eleição de Myung-bak, ex-alto executivo da Hyundai, para a presidência da Coréia, o advogado de Jeon aqui no Brasil, Daniel Bialski, passou a temer pela vida de seu cliente caso ele seja extraditado para seu país natal. Daí ter solicitado o status de refugiado para ele, negado pelo Conare nesta sexta-feira(14/3).

Assessoria de Imprensa do advogado Daniel Bialski"

Cubanos

Na reunião, que começou pela manhã, o Conare aceitou os pedidos de refúgio de três músicos cubanos que se recusaram a voltar para Cuba em dezembro de 2007, após apresentação no Brasil.

Miguel Angel Nuñez Costafreda, Arodis Verdecia Pompa e Juan Alcides Diaz integravam a banda “Los Galanes”, que fazia uma excursão em Pernambuco. Os três fugiram da pousada onde estavam hospedados, em Olinda, na véspera do retorno para Cuba.

"A decisão baseou-se na convenção da ONU sobre refugiados, na lei brasileira e em princípios humanitários", explicou Barreto. “Não é um ato inamistoso com relação a Cuba. Temos as melhores relações com o país. O pedido de refúgio é uma questão de direito humanitário”, complementou.

Direitos

Como refugiados, eles terão todos os direitos de um cidadão brasileiro, como acesso à rede pública de ensino e ao Sistema Único de Saúde (SUS). Poderão tirar documento de identidade, carteira de trabalho, passaporte, abrir conta em banco e trabalhar. Só não poderão votar, exercer cargos políticos ou praticar atos políticos contra o país de origem.

Após um período de seis anos como refugiados, passam a ter a permanência definitiva no Brasil, podendo, inclusive, pedir a naturalização. O refúgio é concedido quando fica caracterizado que houve perseguição no país de origem ou temor de retorno ao país por razões políticas, étnicas ou religiosas.

Segundo Barreto, se familiares dos cubanos se vierem para o Brasil (pai, mãe, esposa e filhos menores) poderão, também, receber refúgio. Para isso, basta provarem ter relação de parentesco com os músicos.

Atletas

Em setembro de 2007, o Conare aprovou os pedidos de refúgio dos atletas cubanos Rafael da Costa Capote (handebol) e Michel Fernandez Garcia (ciclismo). Durante os Jogos Pan-americanos, em julho, eles abandonaram a equipe de seu país, na Vila do Pan, no Rio de Janeiro.

Deportados

Outros dois atletas de Cuba que abandonaram a delegação de seu país durante os Jogos Pan-americanos foram deportados: os lutadores de boxe Erislandy Lara, de 24 anos, e Guillermo Rigondeaux, de 25 anos.

Os atletas também fugiram da Vila do Pan, no Rio de Janeiro, e foram encontrados pela polícia 12 dias depois. “Os boxeadores não fizeram o pedido de refúgio”, explicou Barreto.

Refugiados e deslocados internos batem recorde em 2007

Número de refugiados passou de 9,9 milhões para 11,4 milhões em 2007.
Paquistão, Síria e Irã são países que mais abrigam imigrantes.

O número de refugiados e deslocados internos no mundo todo alcançou no final do ano passado o número recorde de 37,4 milhões, segundo um relatório apresentado nesta terça-feira (17), em Londres, pelo responsável do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), António Guterres.

O Acnur calcula em 31,7 milhões as pessoas com direito a seu apoio e proteção, número que não inclui, entre outros grupos, os 4,6 milhões de refugiados palestinos, que estão aos cuidados de outra agência especializada das Nações Unidas.

"Após termos assistido a uma queda (desses números) durante cinco anos, vimos aumentar nos dois últimos anos, e é preocupante", disse Guterres, que acrescentou que uma "combinação de desafios globais" pode levar a novos aumentos de deslocados no futuro.

Esses desafios incluem desde situações de emergência relacionadas à explosão de conflitos armados até a degradação ambiental devido à mudança climática ou à crescente concorrência por recursos cada vez mais escassos.

Segundo o relatório apresentado em entrevista coletiva, o número de refugiados sob a responsabilidade direta desse organismo da ONU passou de 9,9 milhões para 11,4 milhões no final de 2007.

O número de deslocados por causa de conflitos cresceu de 24,4 milhões para 26 milhões, segundo números do Centro de Observação de Deslocados Internos.

Entre os deslocados internos, o relatório cita três milhões na Colômbia - número oferecido pelo Tribunal Constitucional desse país, 2,4 milhões no Iraque, 1,3 milhão na República Democrática do Congo, 1,2 milhão em Uganda e 1 milhão na Somália.

O relatório do Acnur se refere também a outras categorias que preocupam essa agência da ONU, entre elas os apátridas, os solicitantes de asilo e os refugiados devolvidos a seus países de origem.

sábado, 14 de junho de 2008

Irã volta a dizer que não suspenderá enriquecimento de urânio

Governo reiterou posição no mesmo dia em que representante da UE visita o país.
Solana chegou a Teerã para negociar pacote de incentivos ao país.

O Irã voltou a dizer neste sábado (14) que não suspenderá seu programa de enriquecimento de urânio, no mesmo dia em que o alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, chegou a Teerã para tentar mais uma vez convencer o governo iraniano a desistir da idéia.

De Paris, o presidente americano, George W. Bush, que está dedicando grande parte de sua viagem européia à obtenção de apoios diante da crise com o Irã, disse estar "decepcionado" com a rejeição iraniana, e advertiu de que Teerã não deve se esquecer de que "todas as opções estão sobre a mesa".

Solana chegou sexta-feira (13) a Teerã com um novo pacote de incentivos ao Irã apresentado em nome da UE e dos negociadores ocidentais - os cinco países do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China) mais a Alemanha)

Esta proposta foi definida por ele como "uma oferta ampla e generosa que pretende resolver os problemas que o programa nuclear iraniano causa", pois, acima de tudo, deseja conseguir "garantias objetivas" para a natureza pacífica do mesmo.

Sem acordo?

Antes de começar suas reuniões em Teerã, o porta-voz do governo iraniano, Gholamhossien Elham, jogou um balde de água fria nas expectativas criadas pela missão de Solana.

Em sua entrevista coletiva semanal, Elham disse que no pacote de propostas da UE e das seis grandes potências não aparece a questão da suspensão, mas garantiu que, caso ela aparecesse, nem sequer seria considerada.

"A postura da República Islâmica é muito clara", afirmou, e reiterou que não haverá nada a ser discutido caso a suspensão de enriquecimento de urânio - que era justamente o ponto de partida da proposta internacional - apareça como condição.

Como é comum no Irã, onde membros do Governo dividem os papéis de inflexíveis e conciliadores, pouco depois o ministro de Exteriores, Manouchehr Mottaki, se mostrou um pouco menos agressivo que o porta-voz ao prometer a Solana que seu país estudaria a oferta apresentada pela UE, segundo a agência oficial iraniana "Irna".

'Decepção'

De Paris, George W.Bush e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disseram estar decepcionados com a atitude iraniana. "Estou decepcionado com os líderes por terem rejeitado esta generosa oferta", afirmou Bush, que acrescentou que a recusa de Teerã "representa uma indicação ao povo iraniano de que seus líderes estão dispostos a isolar todos ainda mais".

O presidente francês afirmou que o povo iraniano "merece algo melhor do que o ponto morto a que alguns de seus líderes estão levando o país". Disse também que o programa nuclear iraniano é "um grande problema".

"Se o Irã conseguir uma bomba nuclear, será totalmente inaceitável", completou Sarkozy, em referência às supostas ambições militares do programa nuclear, que sempre foram negadas pelo governo iraniano.

Bush é a favor de impor sanções mais duras ao Irã se o país continuar com suas atividades nucleares, especialmente o enriquecimento de urânio, e dedica boa parte da viagem que faz pela Europa para tentar convencer os aliados do continente a apoiarem suas idéias. Em uma alusão à possibilidade de ataque militar, o presidente americano reiterou que "todas as opções estão sobre a mesa".

Até o momento, as sanções existentes apresentadas em três resoluções da ONU não conseguiram persuadir o regime do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Após terremoto, abalos secundários atingem Japão

Ao menos seis pessoas morreram e 90 ficaram feridas.
Terremoto de 7,2 graus destruiu estradas e causou deslizamentos de terra.
Foto: Reuters

Tremores secundários atingiram o Japão após o terremoto de 7,2 graus na escala Richter, registrado neste sábado (14), no horário local.

O abalo, o mais forte desde agosto de 2005, destruiu estradas, causou deslizamentos de terra e deixou quase 29 mil casas na área do epicentro sem energia elétrica.

Aos menos seis pessoas morreram e 90 ficaram feridas. Os mortos são um pescador de 55 anos arrastado em um deslizamento de terras, um homem de 60 anos atingido por um caminhão, outro de 48 que foi acertado por uma grande pedra na cidade de Oshu e um homem que apareceu morto na montanha, perto de Kurihara.

Autoridades de Kurihara, no município de Migayi, informaram ainda que encontraram os corpos de dois trabalhadores que ficaram sepultados sob os escombros de uma obra.

As Forças de Autodefesa do Japão enviaram uma missão com mais de 150 homens para começar a operar imediatamente na zona afetada pelo terremoto. Pelo menos 12 pessoas estão desaparecidas em Kurihara (distrito de Miyagi).

O terremoto aconteceu às 8h43 locais (20h43 de Brasília, na sexta) a 10 km de profundidade, nos limites dos distritos de Iwate e Miyagi (nordeste), a 550 km de Tóquio, onde o abalo também foi sentido.

Água radioativa

O tremor também provocou o vazamento de água radioativa de uma central nuclear, mas a companhia que administra a usina informou que isto não representa perigo para a população.

Foto: AFP

A Tokyo Electric Power Co. registrou a perda de 14,8 litros de água de um depósito onde ficavam armazenados equipamentos radioativos no reator número dois da central de Fukushima, ao norte do distrito de mesmo nome.

"O nível de radioatividade da água é consideravelmente inferior ao que poderia afetar potencialmente o meio ambiente", disse um porta-voz da empresa. O reator segue em atividade.

Como medida de precaução, o serviço de trens de alta velocidade do norte do país foi suspenso. Centenas de pessoas ficaram presas na estação de Sendai, principal cidade do distrito de Miyagi. Muitas enviaram mensagens com os telefones celulares para as famílias para informar que estavam bem.

Terremotos

Situado na confluência de quatro placas tectônicas, o Japão registra 20% dos terremotos do planeta.

O último grande tremor na capital japonesa aconteceu em 1923 e provocou 142.807 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

Trata-se do tremor mais forte a atingir o Japão desde o ocorrido em agosto de 2005, que também teve magnitude de 7,2 graus na escala aberta de Richter.

O Japão está localizado sobre uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo. Em janeiro de 1995, um terremoto atingiu Kobe, no oeste do país, com magnitude de 7,3 graus na escala aberta de Richter. Mais de 6 mil pessoas morreram.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ataque aéreo dos EUA causa revolta no Paquistão

Ataque aéreo na fronteira com Afeganistão mataram 11 soldados paquistaneses.

Militares do Paquistão condenaram o ataque aéreo de forças lideradas pelos Estados Unidos que matou 11 soldados paquistaneses, chamando o de "covarde".

Ainda não foram divulgados mais detalhes sobre o ataque, que teria ocorrido na fronteira com o Afeganistão.

Segundo informações o incidente teria ocorrido quando as forças lideradas pelos Estados Unidos dispararam mísseis, em um confronto contra militantes do Talebã.

As mortes dos soldados ocorreram durante a noite, em um posto de fronteira na região de Mohmand, uma das áreas tribais do Paquistão, vizinha da região de Kunar, já no Afeganistão.

Oito militantes do Talebã também teriam sido mortos nos confrontos, segundo um porta-voz do grupo. Mas ainda não foi esclarecido como eles morreram.

Os militares americanos confirmaram a operação. Um porta-voz das forças americanas no Afeganistão disse à BBC que operação na fronteira paquistanesa foi realizada pelas forças dos Estados Unidos, mas não fez mais nenhum comentário.

Maluvi Umar, porta-voz de um grupo militante pró-Talebã no Paquistão, disse à BBC que militantes atacaram forças da Otan e afegãs quando tentaram atravessar a fronteira do Afeganistão e entrar no Paquistão.

Em seguida, segundo Umar, vieram os ataques aéreos, que teriam atingido um posto de controle paquistanês.

'Covardia'

Segundo a correspondente da BBC em Islamabad Barbara Plett, o porta-voz do Exército do Paquistão afirmou que o ataque, realizado por "forças da coalizão", foi um "ato de covardia, não provocado".

O porta-voz acrescentou que o incidente "atinge a base da cooperação e do sacrifício com o qual soldados paquistaneses estão apoiando a coalizão em sua guerra contra o terrorismo"

Forças dos Estados Unidos e da coalizão, liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), estão operando no Afeganistão, com a Otan concentrada em manter a paz e reconstruir o país e as tropas americanas combatendo diretamente as atividades militantes.

Uma autoridade não identificada da Otan disse à BBC que o ataque na fronteira foi realizado por forças dos Estados Unidos e não da organização.

Os Estados Unidos já lançaram ataques com mísseis no território paquistanês, com aeronaves não tripuladas, mas nunca confirmou oficialmente estes ataques.

Segundo correspondentes estes ataques causam revolta no Paquistão, pois são vistos como uma violação da soberania do país.

Coalizão assume ataque aéreo que matou 11 soldados paquistaneses

Tropas chefiadas pelos EUA admitiram lançamento de míssil.
Mas, segundo eles, o alvo eram supostos terroristas do Talibã.
Foto: AFP

A coalizão internacional chefiada pelos Estados Unidos no Afeganistão admitiu que realizou nesta quarta-feira (11) ataques aéreos no norte do país, mas disse que o alvo eram terroristas do Talibã. O porta-voz do Pentágono Geoff Morrell defendeu que o ataque foi "legítimo" e disse que se tratou de um ato de "autodefesa".

Um avião não-tripulado da coalizão "identificou" os combatentes inimigos e a força multinacional "em posição de legítima defesa" disparou com sua artilharia "até que a ameaça foi eliminada".

O governo paquistanês informou que 11 soldados do país foram mortos e outros 9 ficaram feridos quando um míssil disparado a partir do Afeganistão atingiu e destruiu um posto militar.

O Exército do Paquistão condenou o ataque, classificando- o como "totalmente sem motivo e covarde". O porta-voz do Exército, general Athar Abbas, condenou "este ato totalmente infundado e covarde contra o corpo de guardas de fronteira" e deplorou "a perda da preciosa vida dos soldados."

Islamabad ainda convocou a embaixadora dos Estados Unidos no Paquistão, Anne Patterson, para protestar contra o ataque, informou a imprensa pública paquistanesa.

Foto: Arte G1

O ataque aconteceu após violentos confrontos entre tropas paramilitares paquistanesas mobilizadas na região tribal de Mohmad e forças afegãs, que alegavam que a zona integra o território de seu país.

As forças paquistanesas responsáveis por vigiar a fronteira com o Afeganistão interceptaram na noite de terça-feira soldados afegãos que tentavam instalar um posto de controle em território paquistanês, segundo fontes do Paquistão que pediram anonimato.

A região tribal de Mohmad é um dos redutos dos talibãs paquistaneses e dos combatentes da al-Qaeda.

Os problemas na fronteira entre Paquistão e Afeganistão são freqüentes desde o fim de 2001, quando as forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos expulsaram os talibãs do poder em Cabul, sob a acusação de que estes abrigavam e apoiavam Osama bin Laden e a al-Qaeda.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Forte tremor volta a atingir lago prestes a transbordar na China

Lago de Tangjiashan ameaça transbordar sobre região com mais de 1,3 milhão de pessoas.
Trata-se do segundo tremor a atingir o dique.
Foto: Reuters

Um novo tremor atingiu nesta segunda-feira (9) o dique do lago de Tangjiashan, formado após o devastador terremoto que atingiu a província chinesa de Sichuan há um mês, e que ameaça transbordar sobre uma região na qual habitam mais de 1,3 milhão de pessoas.

A agência oficial "Xinhua" assinalou que a réplica ocorreu às 11h04 no horário local (0h04 de Brasília), com uma magnitude ainda não revelada pelas autoridades chinesas.

Ainda não se sabe o impacto do novo tremor sobre o dique que evita o transbordamento do Tangjiashan, um dos mais de 30 lagos formados após o tremor de 12 de maio.

Trata-se do segundo tremor a atingir o dique. Na tarde de ontem, foi registrado outro tremor, de 4,8 graus de magnitude na escala aberta de Richter, no distrito de Beichuan, também devastado pelo terremoto do mês passado.

A réplica produziu deslizamentos de terra nas montanhas que circundam o lago de Tangjiashan, que ameaça transbordar com a chegada da temporada de chuvas.

Centenas de soldados começaram no sábado a drenar o lago de Tangjiashan, onde o nível das águas alcançou 742,58 metros acima do nível do mar esta manhã, uma alta de quase um metro a respeito das últimas 24 horas.

sábado, 7 de junho de 2008

Aluguel em São Paulo tem maior alta desde setembro de 1997

Nos últimos 12 meses até maio, os valores de aluguéis avançaram 3,38%.
Entre janeiro e maio de 2008, acumularam alta de 1,91%.

O valor médio dos aluguéis aumentou 0,57% na capital paulista em maio, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

A variação é a maior desde a terceira quadrissemana de setembro de 1997, quando a elevação foi de 0,65%. Entre janeiro e maio de 2008, o valor dos aluguéis acumulou alta de 1,91%. Nos últimos 12 meses até maio, avançou 3,38%.

Na avaliação do coordenador do IPC, Márcio Nakane, o comportamento do aluguel na cidade de São Paulo é de uma alta um pouco maior do que a observada em 2007.

Entre os motivos para o comportamento dos aluguéis, Nakane citou o crescente aquecimento do setor imobiliário na capital paulista, por conta da melhora de renda de alguns setores da população que gera uma procura por melhores moradias.

Segundo ele, as altas podem também já ser um reflexo do forte aumento que vem sendo observado no Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) desde o final de 2007. O indicador, apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) é usado como indexador para os valores dos contratos. Nos últimos 12 meses até maio, o IGP-M acumulou variação de 11,53%.

Alugar imóvel de até dois quartos é tarefa difícil em São Paulo

Oferta reduzida impulsiona alta nos preços dos aluguéis na capital paulista.
Aumento da renda faz moradores da periferia migrarem para bairros mais nobres.
Daigo Oliva

Tempos difíceis para quem pretende alugar um imóvel para morar em São Paulo: apartamentos de até dois dormitórios para locação estão cada vez mais raros de se encontrar na capital paulista e, quando existem, estão bem mais caros do que no ano passado.

Opções de um ou dois dormitórios na Vila Mariana, na zona sul, por exemplo, acumulam alta de 21% no preço do aluguel em 2008, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi - SP); no centro da cidade, a alta é de 12% para imóveis de um dormitório; e de até 13% para alugar um apartamento de até dois quartos no Ipiranga, na zona sul. Na Vila Prudente, na zona leste, os preços subiram em média até 22% nos quatro primeiros meses do ano.

Números do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que o valor dos aluguéis acumulou alta de 1,91% em São Paulo entre janeiro e maio. Nos últimos 12 meses até maio, avançou 3,38%.

“Tem fila de espera por apartamentos de um dormitório; dá para pegar (colocar disponível na imobiliária) e alugar no mesmo dia”, diz o corretor da Marquesa Consultoria de Imóveis, Sólon de Aquino.

“Tinha um apartamento alugado em novembro do ano passado, no Paraíso (zona sul), por R$ 900 na época. Ele vagou agora em abril e foi locado por R$ 1.500”, diz ele, que estima que a oferta de imóveis para venda na imobiliária seja mais de três vezes maior que a de opções para locação.

A razão para o cenário ruim é o aquecimento da economia. Com a expansão da renda, mais pessoas que moravam na periferia em busca de preços mais acessíveis podem migrar de volta a bairros mais nobres da cidade, como as regiões que cercam as linhas de metrô.

“Com a melhora da renda, as pessoas começam a retornar para as regiões centrais dos principais bairros. Como não houve produção de imóveis populares nos últimos anos, não tem imóveis para alugar”, afirma o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, que diz que pesquisa mais recente da entidade aponta aumento de 10% no preço médio do aluguel em São Paulo na comparação com abril de 2007.

Daigo Oliva

E são justamente as opções menos espaçosas e mais baratas as mais cobiçadas - e disputadas - pelos candidatos a locatários.

“Faltam imóveis abaixo de R$ 800 para alugar. Se colocar no mercado, aluga em dois dias”, explica o vice-presidente de locação do Secovi, José Roberto Federighi.

Tanta procura e poucas ofertas reduzem o poder de barganha e o tempo para tomar decisões dos possíveis inquilinos; reservar imóveis sem entregar a papelada, por exemplo, é prática quase obsoleta no mercado.

“É muito concorrido. (...) Quem entregar a documentação primeiro tem a reserva. Não posso segurar informalmente porque dá até problema”, explica a gerente geral da Lello Imóveis, Roseli Hernandes.

Para ela, os apartamentos pequenos são os mais procurados porque atendem a diversos tipos de necessidades. “Serve para vários tipos de pessoas. Para quem acaba de casar, famílias pequenas, para quem usa o imóvel só como dormitório porque trabalha muito, para quem acabou de se separar . Não são tantos os brasileiros com essa condição de morar em um de três quartos”, diz.

Busca difícil

A estudante de administração de empresas Eliana Bastos Lima, 21 anos, procura há duas semanas um apartamento de dois quartos para dividir com uma amiga. O objetivo é sair da quitinete apertada que divide atualmente com outra colega na Vila Buarque para ficar mais perto do trabalho e da faculdade na zona sul. De preferência, ela quer morar no bairro do Paraíso. Eliana, que paga atualmente R$ 350 na divisão das despesas, pretende alugar um imóvel por um valor máximo de R$ 600 para cada uma.

No entanto, ela já sente as dificuldades da tarefa: já andou "olhando plaquinhas" pelas ruas da Vila Mariana, Aclimação e Paraíso, mas não obteve sucesso. "Ano passado eu conseguia achar mais coisas. Neste ano, está meio difícil. Não é nem questão de preço, a gente não está encontrando, não tem tanta opção", diz.

Procurar nos classificados dos jornais e da internet também não tem ajudado. Apesar disso, ela não tem a intenção recorrer à ajuda de uma imobiliária por enquanto. "Estamos querendo andar ainda pela região da Praça da Árvore, da Saúde", diz.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Corpo de embaixatriz brasileira será cremado em Honduras

Jeanne Chantal Neele morreu em um acidente aéreo na última sexta-feira (30).
O embaixador Brian Fraser está internado em hospital da capital e seu estado é estável.
Foto: Reuters

A embaixatriz Janet Chantal Neele, esposa do embaixador do Brasil em Honduras, terá o corpo cremado na capital Tegucigalpa nos próximos dias e suas cinzas serão levadas para o Brasil. Ela morreu no acidente com um avião que transportava 135 pessoas, na última sexta-feira (30). O embaixador, Brian Michael Fraser Neele, ficou ferido e está internado em um hospital da cidade. Seu estado de saúde é estável.

Segundo o filho do casal Bruno Neele, em entrevista ao G1 por telefone, Brian Michael está sedado e assim que receber alta dos médicos voltará para o Brasil e continuará os tratamentos no Rio de Janeiro.

Além da brasileira, mais quatro pessoas morreram no acidente. A aeronave tentava aterrissar quando saiu da pista do aeroporto de Tegucigalpa, e invadiu uma rodovia. O avião da linha aérea Taca, de El Salvador, atingiu alguns carros quando saiu em zigue-zague em direção à rodovia. Com o acidente, partiu-se em três e vazou combustível.

Foto: Arte/G1

Entre os mortos, estava Harry Brautigam, da Nicarágua, que chefiava o Banco de Integração da América Central, segundo o presidente hondurenho, Manuel Zelaya.

O Airbus A-320, da companhia aérea TACA, fazia o percurso Los Angeles-San Salvador-Tegucigalpa-San Pedro Sula. Segundo as autoridades, as más condições de visibilidade podem ter causado o acidente.

As versões indicam que o piloto tentou aterrissar uma primeira vez, mas teve de alçar vôo de novo. Na segunda tentativa, o aparelho acabou saindo da pista.

O aeroporto de Toncontin, na capital hondurenha, é um dos mais perigosos do continente, segundo os especialistas. Este é o oitavo acidente registrado pela companhia salvadorenha desde 1959.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Hillary comemora em Porto Rico e aposta no voto popular

Projeções indicam vitória com folga da democrata na prévia deste domingo.
Ela vai utilizar a vantagem que afirma ter no voto popular diante de Barack Obama.

A senadora pelo estado de Nova York, Hillary Clinton, comemorou vitória neste domingo (1º) nas primárias de Porto Rico que venceu de forma confortável, assim como as pesquisas de boca-de-urna antecipavam.

Ela agora vai utilizar a vantagem que afirma ter no voto popular diante de Barack Obama para reivindicar junto ao partido uma nomeação como candidato oficial democrata para a Casa Branca.

Hoje, a senadora voltou a repetir que os "superdelegados" democratas têm agora que decidir que pré-candidato tem mais possibilidades de vencer nas eleições presidenciais de novembro.

"E daí que um candidato está mais capacitado para liderar o país como presidente?", questionou Hillary em discurso em que agradeceu aos porto-riquenhos pelo amplo apoio que conseguiu nas urnas.

Com Ricky Martin

"Te amo Porto Rico", disse Clinton em espanhol ao iniciar seu discurso em um hotel de San Juan diante de um grupo de entusiasmados eleitores que dançaram ao som de músicas do cantor porto-riquenho Ricky Martin.

Com 76% dos votos apurados, Hillary alcançou 68% dos votos, enquanto Obama obteve 32%. O pleito teve a participação de apenas 20% dos eleitores, número muito menor que o esperado pelos partidários da senadora por Nova York.

Com Obama na liderança na disputa por delegados no momento em que só faltam a realização das primárias dos estados de Montana e de Dakota do Sul, Hillary Clinton insiste que recebeu mais votos populares que qualquer outro pré-candidato presidencial na história dos Estados Unidos.

No discurso, Hillary disse que recebeu cerca de 17,6 milhões de votos, centenas de milhares a mais que Obama, e ganhou em estados considerados determinantes nas eleições de novembro.

"Após as primárias de terça-feira nenhum dos dois pré-candidatos terá um número suficiente de delegados", declarou Hillary.

Para Hillary, por esta razão os superdelegados do Partido Democrata deverão tomar uma decisão sobre qual pré-candidato tem mais possibilidades de vencer o republicano John McCain.

Convenção em agosto

Em Porto Rico, 55 delegados estavam em jogo, além de outros oito superdelegados que estarão na Convenção Nacional do Partido Democrata, em Denver, no estado do Colorado, em agosto.

Obama acumula atualmente um total de 2051 delegados e precisa apenas de outros 67 para chegar à maioria de 2.118, o que lhe permitirá se proclamar o candidato oficial democrata para a Casa Branca.

Isto levando em consideração a decisão de ontem, em Washington, dos dirigentes democratas, que optaram por reduzir pela metade o valor dos votos das delegações de Flórida e Michigan na Convenção Nacional do partido.

Já Hillary tem até agora 1.877 delegados. Segundo as regras do Partido Democrata, o aspirante que obtiver o maior número de delegados é o candidato presidencial, independente do número de votos totais

Brasil ganha disputa com EUA sobre algodão na OMC

Decisão abre caminho para possível retaliação do Brasil aos EUA.
Brasil reclama de subsídios oferecidos pelo governo norte-americano aos produtores.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) condenou nesta segunda-feira (2) os subsídios norte-americanos ao algodão, em uma disputa aberta pelo Brasil. A decisão abre caminho para um possível pedido de sanção por parte do Brasil, suspendendo direitos de patentes e interrompendo parte do comércio.

Em um painel de apelação, a OMC decidiu manter a decisão de dezembro, quando a organização considerou que os Estados Unidos burlavam as regras comerciais com seus subsídios aos fazendeiros de algodão. Na despacho, a OMC sustenta os Estados Unidos agem em discordância com as obrigações assumidas em acordos internacionais e que os subsídios constituem "sérios prejuízos presentes aos interesses do Brasil".

Nos últimos meses, a Casa Branca vem tentando convencer os estados do Sul de que o Partido Republicano não abandonará os produtores de algodão. O setor é um dos importantes doadores de recursos aos candidatos. A estratégia, portanto, foi a de arrastar o quanto pôde a disputa com o Brasil nos tribunais da OMC.

A guerra entre os dois países já durava cinco anos, sem qualquer resultado concreto na redução dos subsídios, apesar das inúmeras derrotas dos americanos. O Brasil se queixava em 2003 de que os subsídios agrícolas dos Estados Unidos estavam prejudicando os produtores nacionais de algodão.

Distribuindo volumes bilionários, os americanos acabavam distorcendo os preços internacionais do produto, ferindo a competitividade dos concorrentes e ainda deprimindo os preços do algodão e vários mercados.

O Itamaraty entrou com um processo na OMC e a entidade acabou acatando a posição do Brasil, exigindo que os americanos reformassem seus programas de ajuda aos produtores.

Dois anos depois, Washington não fez as modificações necessárias e continua dando os subsídios ilegais. Segundo o Brasil, US$ 12,5 bilhões foram dados ao setor desde 1999, o que explicaria a competitividade das exportações americanas.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ministro da Defesa pede saída de premiê de Israel

Olmert recebeu US$ 150 mil em espécie, segundo testemunha.
Oposição pediu a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.
Foto: Moshe Milner

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, pediu nesta quarta-feira (28) que o primeiro-ministro Ehud Olmert deixe suas funções.

"Não acho que o primeiro-ministro possa cumprir suas funções enquanto pesam sobre ele as atuais suspeitas", disse Barak em entrevista coletiva em alusão à investigação que é realizada contra Olmert por um caso de corrupção. “Eu penso que o primeiro-ministro deve se desconectar da administração do Estado”, completou o ex-premiê.

Olmert enfrenta acusações de ter recebido de um empresário americano, em Israel e no exterior, pagamentos sobretudo quando era ministro do Comércio e Indústria (2003-2006). O primeiro-ministro é acusado formalmente de suspeita de fraude, abuso de confiança e irregularidades no financiamento de campanhas eleitorais.

O Likud, maior partido da oposição israelense, já pediu a dissolução do Parlamento (Knesset) e a convocação de novas eleições, depois do pedido de cassação. "O Likud convoca todos os partidos representados na Câmara, tanto de direita quanto de esquerda, para votar a data do desmembramento da Knesset e a realização novas eleições", disse em comunicado a legenda, após as declarações de Barak.

"Já basta de manobras políticas. Os grandes desafios que este país enfrenta exigem um Governo novo e forte", diz a nota. Com 12 dos 120 membros do Parlamento, o Likud é o principal partido da atual oposição israelense, e deposita grandes expectativas em uma nova votação.

Testemunha

Na terça-feira (27), o empresário americano Morris Talansky, principal testemunha do caso, afirmou que em várias ocasiões entregou dinheiro em espécie ao primeiro-ministro de Israel, num total de cerca de US$ 150 mil.

Foto: Baz Ratner/Reuters

O americano disse ter transmitido essas somas tanto em Israel quanto no exterior em envelopes, por intermédio de Shula Zaken, ex-chefe de gabinete de Olmert.

A audiência no qual compareceu Morris Talansky, um israelense-americano que vive em Nova York, durou mais de sete horas no tribunal do distrito de Jerusalém.

"Eu dei dinheiro em espécie a Olmert para suas campanhas de 1991 e 1992 (...). Ele me disse que preferia em espécie e eu entreguei primeiro recursos de fundos privados e depois quantias arrecadadas nos Estados Unidos para ele", afirmou Talansky, em declarações divulgadas pela rádio pública israelense como parte de seu depoimento no tribunal do distrito de Jerusalém.

"Em 1998 também foram entregues valores, a princípio e em cada ocasião, em geral, de 3.000 a 8.000 dólares, sempre em dinheiro, pois Olmert não queria cheques", acrescentou Talansky, afirmando que não havia recebido nada em troca.

O empresário foi interrogado pelo procurador de Estado, Moshe Lador, e o procurador do distrito de Jerusalém, Eli Arbavanel.

Talansky, que insiste não ter recebido nenhuma contrapartida para este dinheiro, voltará a ser ouvido em julho por ocasião de um contra-interrogatório dirigido por advogados de Olmert.

O premiê já foi ouvido formalmente duas vezes pelo caso, alimentando especulações sobre uma eventual renúncia.

Talansky também indicou que Olmert havia proposto "ajudá-lo" a vender frigobares de hotel fabricados por ele.

O primeiro-ministro, segundo ele, colocou-o em contacto com proprietários americanos de hotéis. "Ele queria me fazer um favor, mas não deu em nada", segundo ele.

Olmert já havia dito em audiências anteriores que todo o dinheiro recebido foi utilizado para financiar campanhas eleitorais e assegurou que não colocou "nenhuma moeda no bolso". Contudo, anunciou que renunciaria caso fosse culpado oficialmente.

Durante o último interrogatório, o premiê tentou convencer a polícia de que o dinheiro recebido em 2006, antes de sua nomeação para o cargo, não constituiu suborno, segundo a rádio pública.

Mais críticas

Olmert é acusado também de retomar as conversações com a Síria para desviar a atenção sobre seus próprios problemas judiciais. O líder da oposição de direita e também ex-premiê, Benjamin Netanyahu, chegou a afirmar que o atual primeiro-ministro "não tinha nenhuma autoridade para negociar".

Segundo uma pesquisa recente, 62% dos israelenses acreditam que Olmert deveria renunciar. Além disso, 51% se mostram favoráveis a eleições antecipadas.

* Com informações da Efe, Reuters e AFP