Antes de chegar, ex-refém da guerrilha disse que devia sua vida à França.
Em praça da capital, ela simbolicamente retirou cartaz com sua foto como refém.
A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt e seus familiares chegaram nesta sexta-feira (4) a Paris, dois dias depois de ela ter sido libertada da guerrilha na selva colombiana.
Ingrid, que é franco-colombiana, foi recebida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pela primeira-dama, Carla Bruni, no aeroporto de Villacoublay, no subúrbio de Paris.
Logo depois de desembarcar, Ingrid disse que "chorou muito" durante seu cativeiro de mais de seis anos, mas que, agora, "chorava de alegria" na chegada ao país. Ela disse também que iria se lembrar do momento por "muito e muito tempo".
Sarkozy afirmou que "toda a França está feliz" pela chegada de Ingrid ao país.
Viajaram com a ex-refém desde Bogotá seus filhos, Mélanie e Lorenzo, sua irmã, Astrid, sua mãe, Yolanda Pulecio, e seu ex-marido, Fabrice Delloye. O chanceler francês, Bernard Kouchner, também estava no avião.
Durante a viagem, a ex-candidata presidencial colombiana disse a jornalistas que "devia sua vida" à França. "Se a França não tivesse lutado por mim, eu não estaria fazendo esta viagem extraordinária", disse, quase na chegada a Paris.
Sorridente, vestida de tailleur claro, Ingrid revelou que conseguiu dormir no Airbus presidencial, mesmo depois do "turbilhão" da véspera, quando reencontrou seus filhos após mais de seis anos de cativeiro.
"A França foi meu apoio não somente do ponto de vista moral como também por seu peso, por ter recusado qualquer operação militar e impedido o governo colombiano de lançar operações militares para libertar reféns pela força", disse.
Ela citou o caso de um de seus companheiros de cativeiro que fugiu, mas foi pego e fuzilado. "Se a França não estivesse por trás, provavelmente eu teria tido o mesmo destino", afirmou.
Ela reiterou seu desejo de encontrar o papa. "Irei ao Vaticano assim que me disserem que poderei abraçar o papa". A idéia de tocar o Papa, é de estar um pouquinho mais perto de Deus, é uma maneira de dizer 'obrigada'".
Ela voltou a ser evasiva sobre a possibilidade de voltar à política. "Por enquanto, eu me vejo longe dela. Mas continuo tendo vontade de servir os colombianos", disse.
Ingrid pediu a Sarkozy e aos comitês mobilizados para conseguir sua liberdade que continuem lutando pelos reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na selva colombiana.
"Ali, deixei seres humanos que permanecem nas mãos das Farc. Portanto, continuo precisando de vocês", disse. "Necessito contar com o presidente Sarkozy para que retorne à Colômbia".
Betancourt disse que Sarkozy deverá voltar a falar com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e pediu aos representantes franceses que intercedessem por ela perante as Farc voltando à selva.
Sarkozy respondeu dizendo que irá à América do Sul para agradecer aos governantes de Colômbia, Venezuela, Equador e Argentina pela libertação de Ingrid e "falar do futuro".
Ela explicou que a situação é particularmente ruim desde que as Farc se negaram a falar com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, e "ainda menos" com Uribe.
O prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, e milhares de pessoas comemoraram o resgate de Ingrid na prefeitura, diante de um cartaz da ex-candidata sobre o qual foi colocado um letreiro com a palavra "livre".
Sob aplausos, Ingrid retirou o cartaz, num ato simbólico. (assista ao vídeo ao lado)
Antes de embarcar para a França, ela contou em uma entrevista que permaneceu acorrentada 24 horas por dia durante três anos, e que em alguns momentos era submetida a maus-tratos, mas que apesar de tudo tentou "viver com dignidade".
"Tentava carregar as correntes e viver com dignidade, mas às vezes me dava conta de que era insuportável", disse Betancourt em entrevista para a emissora de rádio francesa Europe 1, pouco antes de deixar a Colômbia com destino à França.
"Senti que existe a tentação de se abandonar a comportamentos demoníacos (...); acredito que é preciso conservar uma grande espiritualidade para não cair no abismo", disse a ex-refém. "Usei algemas o tempo todo, as 24 horas do dia, durante três anos", acrescentou.
Questionada sobre as humilhações às quais foi submetida, respondeu que "havia momentos de maus-tratos", e disse que o tratamento que recebia dos guerrilheiros "era variável" e que "sabia que em qualquer momento esse lado cruel podia surgir".
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