Ex-candidata à presidência da Colômbia foi solta com mais 14 reféns, diz governo.
Segundo ministro, guerrilheiros foram enganados por militares infiltrados no grupo.
A franco-colombiana Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência da Colômbia e refém das Farc há mais de seis anos, foi resgatada nesta quarta-feira (2).
Ela foi libertada junto com três norte-americanos e mais outros 11 militares colombianos, segundo o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos. O anúncio da libertação foi confirmado logo depois pelo governo francês, que participava de negociações anteriores.
Os norte-americanos libertados são Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, seqüestrados em 2003 quando realizavam uma missão antidrogas na floresta de Caquetá, no sudeste do país.
De acordo com o ministro, todos estão em boas condições de saúde e nenhum tiro foi disparado durante o resgate, que foi feito com a ajuda de três helicópteros.
"Seguimos trabalhando na libertação dos demais seqüestrados. Apelamos para os atuais líderes da Farc para que não se deixem matar, liberem os outros seqüestrados e não sacrifiquem seus homens", disse o ministro em Bogotá.
Os resgatados já teriam chegado na base militar de Toleimada, no centro do país. Lá, eles seriam recebidos pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe.
Segundo o ministro colombiano da Defesa, o Exército da Colômbia se infiltrou na cúpula das Farc para libertar os quinze seqüestrados, enganando dois rebeldes e fazendo com que eles acreditassem que iam a um encontro com o chefe máximo rebelde, Alfonso Cano.
Ele disse que os militares infiltrados haviam feito um acordo com o comandante César, das Farc, para supostamente levar os cativos de helicóptero até o lugar onde estaria Cano, chefe da guerrilha desde maio passado, quando morreu Manuel Marulanda, o Tirofijo, fundador do grupo.
Lorenzo Betancourt, filho de Ingrid, disse que espera "de todo coração" que seja verdadeira a notícia da libertação. "Estou aguardando mais informações. Espero que seja verdade, de todo coração", disse à agência EFE.
Ingrid Betancourt nasceu em Bogotá, estudou em Paris e hoje tem 46 anos - dos quais os últimos seis passou no meio da mata, vivendo em condições precárias como refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
A parlamentar havia sido seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002 na região de Caquetá e, hoje, acredita-se que esteja com malária, leishmaniose e hepatite B.
Betancourt é uma das mais importantes reféns que as Farc mantinham em cativeiro - faz parte do grupo de 40 prisioneiros políticos passíveis de troca por guerrilheiros presos pelo governo colombiano. Além disso, há centenas de outras pessoas seqüestradas pela guerrilha por motivos financeiros.
O resgate é um trunfo político na mão do presidente Uribe, que endureceu contra a guerrilha e aliou-se com os EUA, que investiram bilhões de dólares para colocar os rebeldes na defensiva, combater a criminalidade e investir no desenvolvimento do país.
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