quarta-feira, 25 de junho de 2008

Presidente do Zimbábue diz que quer negociar com oposição após 2º turno

Apesar das pressões internacionais, Robert Mugabe descartou adiar as eleições.
Oposicionista segue refugiado na embaixada holandesa, e a tensão no país cresce.
Foto: The New York Times
The New York Times
Morador do Zimbábue mostra bolo que ele diz ter comprado por um bilhão de dólares zimbabuanos nesta terça-feira (24) em Harare. O país tem uma inflação aproximada de 165.000% ao ano.

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, disse nesta terça-feira (24) que está disposto a negociar com a oposição, mas só depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para a próxima sexta-feira, segundo a imprensa oficial.

"Estamos aberto, abertos a uma discussão, mas temos nossos princípios", disse em duas reuniões eleitorais. "Se a oposição tem problemas, eles podem falar."

O candidato oposicionista, Morgan Tsvangirai -que iria disputar a eleição contra o próprio Mugabe- retitou sua candidatura no domingo, alegando que a escalada da violência praticada pelo governo durante a campanha eleitoral colocou em risco a vida dos oposicionistas e tirou a legitimidade do processo.

Depois do anúncio, Tsvangirai teve de se refugiar na embaixada holandesa em Harare. Na segunda-feira, a sede do seu partido foi invadida por policiais, que prenderam ao menos 36 militantes, alegando "motivos sanitários".

Mais cedo nesta terça, Mugabe havia dito que não iria adiar o segundo turno, mesmo com as pressões das Nações Unidas e de países como os EUA para que isso acontecesse.

"Os países ocidentais podem gritar tudo o que quiserem, mas as eleições seguirão adiante", disse Mugabe durante um ato do partido do governo. "Aqueles que quiserem reconhecer nossa legitimidade podem fazê-lo, mas quem não quiser, que não faça."

Segundo o ministro da Justiça do Zimbábue, Patrick Chinamasa. o pedido oficial de retirada da candidatura oposicionista, feito nesta terça, chegou "tarde demais".

A decisão do regime de Mugabe de manter o segundo turno ocorre apesar da pressão internacional pelo adiamento da votação. Nesta terça-feira, o embaixador americano nas Nações Unidas disse que o Conselho de Segurança vai considerar medidas contra o Zimbábue se o país ignorar a recomendação que declara que uma eleição "livre e justa" é impossível no país. Ele não quis esclarecer quais seriam essas medidas.

Primeiro turno

A Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC) havia anunciado em 2 de maio que Tsvangirai tinha obtido 47,9% dos votos no primeiro turno, contra 43,2% do presidente do país, Robert Mugabe, e era necessária uma segunda rodada de votação, porque nenhum candidato superava os 50% necessários para uma maioria direta.

O MDC afirmou que Tsvangirai ganhou o primeiro turno com 50,3% dos votos, e que a apuração tinha sido um "assalto à mão armada". Além disso, antecipou que poderia "arrasar" no segundo turno.

No entanto, a campanha de ataques e intimidação contra a oposição em todo o país a fim de evitar uma nova derrota do chefe de Estado gerou dúvidas de que as eleições possam ser livres e justas.

Tsvangirai anunciou no domingo passado que estava se retirando das eleições, pois, segundo ele, participar significava risco de "agressões físicas e até a morte para os partidários do MDC".

"As milícias, os veteranos da guerra da independência e o próprio Mugabe deixaram claro em várias ocasiões que qualquer um que vote em mim no segundo turno das eleições enfrenta uma possibilidade bastante real de ser assassinado", disse Tsvangirai, em entrevista coletiva.

Horas após seu anúncio, Tsvangirai se refugiou na Embaixada da Holanda em Harare, porque sua vida corria perigo, e continua no local. Mas ele não pediu asilo diplomático à Holanda, segundo seus partidários.

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