Oferta reduzida impulsiona alta nos preços dos aluguéis na capital paulista.
Aumento da renda faz moradores da periferia migrarem para bairros mais nobres.
Tempos difíceis para quem pretende alugar um imóvel para morar em São Paulo: apartamentos de até dois dormitórios para locação estão cada vez mais raros de se encontrar na capital paulista e, quando existem, estão bem mais caros do que no ano passado.
Opções de um ou dois dormitórios na Vila Mariana, na zona sul, por exemplo, acumulam alta de 21% no preço do aluguel em 2008, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi - SP); no centro da cidade, a alta é de 12% para imóveis de um dormitório; e de até 13% para alugar um apartamento de até dois quartos no Ipiranga, na zona sul. Na Vila Prudente, na zona leste, os preços subiram em média até 22% nos quatro primeiros meses do ano.
Números do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que o valor dos aluguéis acumulou alta de 1,91% em São Paulo entre janeiro e maio. Nos últimos 12 meses até maio, avançou 3,38%.
“Tinha um apartamento alugado em novembro do ano passado, no Paraíso (zona sul), por R$ 900 na época. Ele vagou agora em abril e foi locado por R$ 1.500”, diz ele, que estima que a oferta de imóveis para venda na imobiliária seja mais de três vezes maior que a de opções para locação.
A razão para o cenário ruim é o aquecimento da economia. Com a expansão da renda, mais pessoas que moravam na periferia em busca de preços mais acessíveis podem migrar de volta a bairros mais nobres da cidade, como as regiões que cercam as linhas de metrô.
“Com a melhora da renda, as pessoas começam a retornar para as regiões centrais dos principais bairros. Como não houve produção de imóveis populares nos últimos anos, não tem imóveis para alugar”, afirma o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, que diz que pesquisa mais recente da entidade aponta aumento de 10% no preço médio do aluguel em São Paulo na comparação com abril de 2007.
E são justamente as opções menos espaçosas e mais baratas as mais cobiçadas - e disputadas - pelos candidatos a locatários.
“Faltam imóveis abaixo de R$ 800 para alugar. Se colocar no mercado, aluga em dois dias”, explica o vice-presidente de locação do Secovi, José Roberto Federighi.
Tanta procura e poucas ofertas reduzem o poder de barganha e o tempo para tomar decisões dos possíveis inquilinos; reservar imóveis sem entregar a papelada, por exemplo, é prática quase obsoleta no mercado.
“É muito concorrido. (...) Quem entregar a documentação primeiro tem a reserva. Não posso segurar informalmente porque dá até problema”, explica a gerente geral da Lello Imóveis, Roseli Hernandes.
Para ela, os apartamentos pequenos são os mais procurados porque atendem a diversos tipos de necessidades. “Serve para vários tipos de pessoas. Para quem acaba de casar, famílias pequenas, para quem usa o imóvel só como dormitório porque trabalha muito, para quem acabou de se separar . Não são tantos os brasileiros com essa condição de morar em um de três quartos”, diz.
A estudante de administração de empresas Eliana Bastos Lima, 21 anos, procura há duas semanas um apartamento de dois quartos para dividir com uma amiga. O objetivo é sair da quitinete apertada que divide atualmente com outra colega na Vila Buarque para ficar mais perto do trabalho e da faculdade na zona sul. De preferência, ela quer morar no bairro do Paraíso. Eliana, que paga atualmente R$ 350 na divisão das despesas, pretende alugar um imóvel por um valor máximo de R$ 600 para cada uma.
No entanto, ela já sente as dificuldades da tarefa: já andou "olhando plaquinhas" pelas ruas da Vila Mariana, Aclimação e Paraíso, mas não obteve sucesso. "Ano passado eu conseguia achar mais coisas. Neste ano, está meio difícil. Não é nem questão de preço, a gente não está encontrando, não tem tanta opção", diz.
Procurar nos classificados dos jornais e da internet também não tem ajudado. Apesar disso, ela não tem a intenção recorrer à ajuda de uma imobiliária por enquanto. "Estamos querendo andar ainda pela região da Praça da Árvore, da Saúde", diz.
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