quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ministro da Defesa pede saída de premiê de Israel

Olmert recebeu US$ 150 mil em espécie, segundo testemunha.
Oposição pediu a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.
Foto: Moshe Milner

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, pediu nesta quarta-feira (28) que o primeiro-ministro Ehud Olmert deixe suas funções.

"Não acho que o primeiro-ministro possa cumprir suas funções enquanto pesam sobre ele as atuais suspeitas", disse Barak em entrevista coletiva em alusão à investigação que é realizada contra Olmert por um caso de corrupção. “Eu penso que o primeiro-ministro deve se desconectar da administração do Estado”, completou o ex-premiê.

Olmert enfrenta acusações de ter recebido de um empresário americano, em Israel e no exterior, pagamentos sobretudo quando era ministro do Comércio e Indústria (2003-2006). O primeiro-ministro é acusado formalmente de suspeita de fraude, abuso de confiança e irregularidades no financiamento de campanhas eleitorais.

O Likud, maior partido da oposição israelense, já pediu a dissolução do Parlamento (Knesset) e a convocação de novas eleições, depois do pedido de cassação. "O Likud convoca todos os partidos representados na Câmara, tanto de direita quanto de esquerda, para votar a data do desmembramento da Knesset e a realização novas eleições", disse em comunicado a legenda, após as declarações de Barak.

"Já basta de manobras políticas. Os grandes desafios que este país enfrenta exigem um Governo novo e forte", diz a nota. Com 12 dos 120 membros do Parlamento, o Likud é o principal partido da atual oposição israelense, e deposita grandes expectativas em uma nova votação.

Testemunha

Na terça-feira (27), o empresário americano Morris Talansky, principal testemunha do caso, afirmou que em várias ocasiões entregou dinheiro em espécie ao primeiro-ministro de Israel, num total de cerca de US$ 150 mil.

Foto: Baz Ratner/Reuters

O americano disse ter transmitido essas somas tanto em Israel quanto no exterior em envelopes, por intermédio de Shula Zaken, ex-chefe de gabinete de Olmert.

A audiência no qual compareceu Morris Talansky, um israelense-americano que vive em Nova York, durou mais de sete horas no tribunal do distrito de Jerusalém.

"Eu dei dinheiro em espécie a Olmert para suas campanhas de 1991 e 1992 (...). Ele me disse que preferia em espécie e eu entreguei primeiro recursos de fundos privados e depois quantias arrecadadas nos Estados Unidos para ele", afirmou Talansky, em declarações divulgadas pela rádio pública israelense como parte de seu depoimento no tribunal do distrito de Jerusalém.

"Em 1998 também foram entregues valores, a princípio e em cada ocasião, em geral, de 3.000 a 8.000 dólares, sempre em dinheiro, pois Olmert não queria cheques", acrescentou Talansky, afirmando que não havia recebido nada em troca.

O empresário foi interrogado pelo procurador de Estado, Moshe Lador, e o procurador do distrito de Jerusalém, Eli Arbavanel.

Talansky, que insiste não ter recebido nenhuma contrapartida para este dinheiro, voltará a ser ouvido em julho por ocasião de um contra-interrogatório dirigido por advogados de Olmert.

O premiê já foi ouvido formalmente duas vezes pelo caso, alimentando especulações sobre uma eventual renúncia.

Talansky também indicou que Olmert havia proposto "ajudá-lo" a vender frigobares de hotel fabricados por ele.

O primeiro-ministro, segundo ele, colocou-o em contacto com proprietários americanos de hotéis. "Ele queria me fazer um favor, mas não deu em nada", segundo ele.

Olmert já havia dito em audiências anteriores que todo o dinheiro recebido foi utilizado para financiar campanhas eleitorais e assegurou que não colocou "nenhuma moeda no bolso". Contudo, anunciou que renunciaria caso fosse culpado oficialmente.

Durante o último interrogatório, o premiê tentou convencer a polícia de que o dinheiro recebido em 2006, antes de sua nomeação para o cargo, não constituiu suborno, segundo a rádio pública.

Mais críticas

Olmert é acusado também de retomar as conversações com a Síria para desviar a atenção sobre seus próprios problemas judiciais. O líder da oposição de direita e também ex-premiê, Benjamin Netanyahu, chegou a afirmar que o atual primeiro-ministro "não tinha nenhuma autoridade para negociar".

Segundo uma pesquisa recente, 62% dos israelenses acreditam que Olmert deveria renunciar. Além disso, 51% se mostram favoráveis a eleições antecipadas.

* Com informações da Efe, Reuters e AFP

terça-feira, 27 de maio de 2008

China: Previsão de chuva ameaça áreas atingidas

Governo alerta que mau tempo ameaçaria esforços de resgate e intensificaria caos.

O governo chinês afirmou que a previsão de fortes chuvas na província de Sichuan, atingida pelo terremoto do dia 12 de maio, é uma ameaça grande para a região.

Segundo o ministro dos Recursos Hídricos, o volume de água poderia provocar uma inundação nos lagos que ser formaram com os deslizamentos de terra causados pelos tremores e romper as barragens.

De acordo com ele, milhares de engenheiros estariam trabalhando e equipes de reconstrução foram mobilizadas para reduzir os riscos.

Há preocupação de que o mau tempo possa atrasar a construção de abrigos temporários para os 5 milhões de desabrigados por causa do alto nível de água.

Segundo a agência de notícias Xinhuam 34 lagos se formaram na região por causa dos tremores. Destes, oito comportam 3 milhões de metros cúbicos de água sozinhos e um deles, na região de Tangjiashan, dobrou de tamanho em apenas quatro dias.

A agência informou ainda que o governo enviou equipes com explosivos para abrir uma espécie de canal para controlar o fluxo de água no lago e prevenir sua inundação.

Réplica

A região de Sichuan sofreu neste domingo outro tremor. A réplica atingiu 5.8 graus de magnitude e foi sentida também em Pequim.

Segundo a TV estatal, uma pessoa morreu e 400 ficaram feridas depois que a réplica foi registrada. Além disso, o tremor causou a destruição de milhares de edificações.

O número oficial de vítimas do terremoto que atingiu o sul do país é de cerca de 63 mil pessoas e o total de desaparecidos chega a 23 mil.

No sábado, o premiê chinês Wen Jiabao afirmou que o número de mortos pode chegar aos 80 mil.

China sofre novos tremores e represa ameaça 80 mil pessoas

O tremor de 12 de maio já matou 67.183 pessoas e deixou 20.790 desaparecidos.
Um porta-voz do governo disse que 45 milhões de pessoas foram afetadas pelo abalo.

No dia em que o governo decidiu aliviar a política do filho único, duas novas réplicas do terremoto de 12 de maio foram sentidos em duas províncias chinesas nesta terça-feira (27): em Shaanxi e Sichuan. Os abalos foram de de 5,7 graus e 5,4 graus, respectivamente, na escala Richter.

Desde o grande terremoto, só a província de Sichuan já teve 180 réplicas de mais de 4 graus. A pior delas aconteceu no domingo (25), quando oito pessoas morreram – o tremor chegou a 6,4 graus. Ainda não se sabe os danos causados pelos abalos desta terça-feira.

Foto: China

O tremor de 12 de maio já matou 67.183 pessoas e deixou 20.790 desaparecidos, segundo informe da agência estatal “Xinhua”. O número anterior era de 65.080 mortos e 23.150 desaparecidos. Já o de feridos chega a 361.822.

Um porta-voz do governo disse ainda que 45 milhões de pessoas foram afetadas pelo abalo sísmico de 7,9 graus.

Os números, porém, podem piorar. Um total de 80.000 pessoas estão ameaçadas pela ruptura de uma represa natural formada por um deslizamento de terra após o terremoto de 12 de maio em Sichuan (sudoeste da China). Segundo o governo, todas elas terão que deixar as suas casas.

As pessoas terão que sair antes da meia-noite desta terça-feira, o que elevará a 158.000 o número de desabrigados dentro de um plano de emergência que pretende reduzir em um terço o nível do lago de Tangjiashan, que continua crescendo e ameaça provocar uma ruptura incontrolável do dique.

Este lago é o que mais ameaça a população entre os 35 que se formaram após o forte terremoto.

Quase 2.000 soldados foram enviados a Tangjiashan para as operações de drenagem.

Mais ajuda

O governo chinês pediu nesta terça o envio de mais equipamentos médicos, remédios e abrigos temporários para a província de Sichuan.

A cúpula do Partido Comunista da China (PCCh) pediu a seus líderes e aos quadros locais todo o esforço possível para evitar surtos de doenças e prevenir seqüelas do terremoto como inundações e réplicas, informou nesta terça-feira o jornal oficial "China Daily".

Foram enviados à região 500 mil abrigos para 5 milhões de pessoas que perderam suas casas no tremor, mas Pequim assinala que ainda é preciso pelo menos mais três milhões.

Pela primeira vez a China permitiu a entrada de equipes de ajuda humanitária estrangeiras para auxiliar nos trabalhos de resgate e assistência aos desabrigados, entre eles grupos procedentes de Cuba, Rússia, Japão, Coréia do Sul, Cingapura, Alemanha, França e EUA.

No total, 40 países enviaram equipes de especialistas e voluntários a Sichuan, e muitos mais se encontram em caminho.

Trabalham na região dezenas de milhares de médicos chineses que vieram de todas as províncias do país asiático.

O terremoto gerou uma onda de solidariedade tanto dentro como fora do território chinês, que se traduziu em US$ 4,4 bilhões em doações, segundo dados do escritório de Informação do Conselho de Estado.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Tornados matam oito e provocam destruição nos EUA

Entre as vítimas está uma criança de 2 anos, que morreu no estado de Minnesota.
Iowa tem o maior número de mortos registrados.

Pelo menos oito pessoas morreram e várias dezenas ficaram feridas neste domingo (25) durante uma onda de tornados e de fortes tempestades no meio oeste dos Estados Unidos, segundo dados confirmados por autoridades locais.

A maioria das vítimas foi registrada no nordeste do estado de Iowa, onde sete pessoas morreram após um tornado ter castigado Parkersburg e New Hartford. Cinco pessoas morreram em Parkersburg e outras duas morreram na vizinha New Hartford.

No estado de Minnesota, uma criança de dois anos morreu e outra ficou gravemente ferida junto a outras oito pessoas em uma localidade próxima a Mineápolis.

Os fenômenos meteorológicos deixaram também várias dezenas de feridos e graves danos materiais.

A tempestade destruiu, além disso, cerca de 50 casas e provocou danos em outras 150 no município de Hugo, a 40 km da capital do estado.

*Com informações da EFE e da AP

sexta-feira, 23 de maio de 2008

ula vê América do Sul como solução para crise de alimentos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a abertura da reunião de oficialização da União Sul-americana de Nações (Unasul), nesta sexta-feira (23), em Brasília, para criticar o protecionismo dos países ricos. Ele afirmou que a América do Sul pode ser a solução para a crise de alimentos.

“Não nos deixemos iludir tampouco pelos pelos argumentos daqueles que por interesses protecionistas ou motivações geopolíticas, se sentem incomodados com o crescimento da nossa indústria e de nossa agricultura e com a realização do nosso potencial energético”, disse Lula.

Ele afirmou que no meio da crise de alimentos a região ganha um papel de destaque por ser uma tradicional fronteira agrícola.

“Quando a escassez de alimentos ameaça a paz social em muitas partes do mundo, é na nossa região que muitos vem buscar respostas.”

O presidente brasileiro destacou o crescimento econômico dos países da América do Sul. “Mais de 300 milhões de homens e mulheres se beneficiam hoje de uma excepcional fase de crescimento econômico e de programas de inclusão social. Constitui enorme base produtiva e grande mercado de bens de consumo”, afirmou.

Lula destacou ainda a democracia nos países sul-americanos: “A América do Sul é uma região de paz, onde floresce a democracia”. E afirmou que “a instabilidade que alguns pretendem ver em nosso continente é sinal de vida, especialmente vida política. Não há democracia sem povo nas ruas”, concluiu.

Reuters

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Portugal vai inaugurar ‘Hollywood de areia’

60 escultores finalizam nova atração em vilarejo português.
Parque será aberto para visitação nesta quinta-feira (22).
Foto: Hugo Correia/Reuters
Vista do parque de areia com motivos de Hollywood, que será inaugurado nesta quinta-feira (22). Mais de 60 escultores trabalharam no vilarejo de Pera, em Portugal.

Israel anuncia negociações de paz com a Síria

Comunicado confirma relatos sobre negociações mediadas pela Turquia.

O governo de Israel anunciou nesta quarta-feira que está mantendo negociações indiretas com a Síria com o objetivo de conseguir um acordo de paz amplo.

Em um comunicado, o gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert disse que ambas as partes entraram nas negociações “de boa fé e abertos”.

"Os dois lados indicaram que querem conduzir as negociações de maneira séria, de forma a alcançar a paz completa", disse Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

O comunicado é a primeira confirmação oficial dos relatos nos últimos meses sobre um possível diálogo de paz.

Ele diz ainda que enviados dos dois lados estão mantendo negociações indiretas em Ancara, na Turquia.

Um comunicado do Ministério do Exterior da Síria, diz: "Ambos os lados expressaram o desejo de conduzir as negociações de boa vontade e decidiram manter o diálogo com seriedade para conquistar um acordo de paz abrangente".

Em abril, houve relatos de que a Turquia estaria mediando negociações entre os dois lados que, tecnicamente, ainda estão em guerra por conta da disputa sobre as Colinas do Golã, ocupadas por Israel na guerra de 1967.

Um ministro do governo sírio disse que Olmert havia oferecido devolver as Colinas do Golã em troca da paz.


Mas os relatos provocaram escândalo no Parlamento israelense. Vários parlamentares disseram que iriam acelerar a aprovação de um projeto de lei exigindo que uma decisão sobre a retirada das Colinas do Golã seja submetida a um referendo.

A última rodada de negociações foi rompida em 2000 por conta da falta de acordo sobre a extensão de uma possível retirada israelense do local.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Número de mortos e desaparecidos após terremoto ultrapassa 71 mil na China

O governo chinês anunciou nesta segunda-feira (19) que o número de mortos e desaparecidos após o terremoto que devastou o sudoeste do país, há uma semana, já ultrapassa 71 mil. Até agora as autoridades confirmaram a morte de 34.073 pessoas.

A China deu início, nesta segunda-feira (19), a um período de lutonacional de três dias, em homenagem às milhares de vítimas.

Desde o amanhecer, como manda a tradição, a bandeira nacional foi hasteada pelos soldados na praça Tiananmen, coração de Pequim, em frente do retrato gigante de Mao Tsé-tung, e, então, colocada a meio mastro.A cena se repetiu em todo o país, na fachada dos prédios públicos.

Foto: Reuters
Reuters
Enfermeira cuida do bebê Wang Yue, que teve as duas pernas quebradas devido a destroços causados pelo terremoto, em Chengdu, na província de Sichuan.

As bandeiras também ficarão a meio mastro nas missões diplomáticas chinesas no exterior e em Hong Kong, onde as autoridades decidiram se somar ao luto da China.

Às 14h28 (3h28 de Brasília), hora exata do terremoto ocorrido no dia 12 de maio, a população fez três minutos de silêncio, e sirenes e buzinas ecoaram por todo o território.

O revezamento da tocha olímpica foi suspenso durante esses três dias, assim como todas as festividades públicas.

As bolsas de valores de Xangai e Shenzhen também pararam por alguns minutos.

De acordo com o último balanço, divulgado nesta segunda pelo governo, o terremoto deixou 34.073 vítimas fatais confirmadas. A estimativa oficial é de que esse número possa ultrapassar os 71 mil mortos.

Foto: Reuters/Kyodo
Esperança entre os escombros

Nesta segunda-feira (19), bombeiros encontraram Wang Fazhen, de 50 anos, entre as ruínas de um prédio residencial. Ela foi retirada 40 minutos depois de ser localizada ainda com sinais de vida e levada a um hospital.

As equipes de resgate disseram que sinais indicam a possível existência de outros três sobreviventes no local onde Wang foi encontrada.

Outra mulher, Li Lingcui, de 61 anos, também foi salva de entre os escombros no distrito de Beichuan, perto do epicentro, dez minutos depois do resgate de Wang.

Segundo as equipes que a resgataram, Li estava consciente quando a retiraram.


Foto: AFP
Motoristas deixam os carros e respeitam os três minutos de silêncio no centro de avenida, em Pequim (Foto: AFP)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Laudo da Interpol liga Chávez às Farc

A Interpol confirmou, nesta quinta-feira (15), que os dados encontrados em computadores de um dos chefes militares das Farc, Raúl Reyes, são verdadeiros, o que mostra uma relação entre os governos equatoriano, de Rafael Correa, e venezuelano, presidido por Hugo Chávez, com a guerrilha colombiana, informa o jornal ‘El País’.

O secretário-geral da Interpol, Ronaldo Noble, explicou que os peritos internacionais “não descobriram evidências” sobre uma eventual intervenção.

Os computadores foram apreendidos em 1º de março deste ano em um acampamento das Farc, em uma operação que resultou na morte de Reyes. “A Interpol conclui que não houve qualquer tipo de alteração nos dados”, pontuou o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble.

As conclusões dos peritos confirmam que Hugo Chávez financiou diretamente a guerrilha colombiana e que, por outro lado, as Farc participaram economicamente da campanha presidencial de Rafael Correa, como candidato à presidência do Equador.

Revelações
Foto: Reprodução/Interpol

O jornal "El País" teve acesso aos documentos dos computadores. Um deles é um e-mail de 12 de novembro de 2007 de um integrante da guerrilha, chamado Iván Márquez, contando aos companheiros que Chávez "aprovou sem pestanejar o pedido de US$ 300 milhões" feito pela guerrilha.

Na mesma mensagem, ele diz que havia um plano para as Farc receberem armamento contrabandeado através da Venezuela.

Segundo o jornal espanol, os

documentos mostram ainda que a inteligência venezuelana ofereceu ajuda para os guerrilheiros obterem mísseis antiaéreos.

"Palhaçada"

Foto: Reuters

O presidente venezuelano, por sua vez, classificou o relatório como uma "palhaçada" e chamou o representante da Interpol como um "vagabundo internacional". "É uma palhaçada que não merece, do meu ponto de vista, um comentário sério", disse Chávez em entrevista coletiva, horas a Interpol apresentar o relatório sobre o computador entregue por Bogotá.

"Este Noble é um vagabundo (...). Eu o denuncio como um vagabundo internacional. E é perigoso que a Interpol tenha um vagabundo como secretário-geral", completou.

O governo de Bogotá, que antes de pedir a investigação da Interpol revelou parte dos arquivos, afirma que os documentos revelam as ligações das Farc com os governos de Equador e Venezuela.

Chávez disse ainda que o relatório afetará as relações comerciais com a Colômbia: "Quem vai investir com este clima? Os empresários colombianos estão perdendo dólares, são os que mais pedem e recebem, mas vamos revisar isto".

Na mesma coletiva, Chávez revelou que o acampamento das Farc no território equatoriano que a Colômbia bombardeou em março foi montado para receber os reféns que seriam libertados pela guerrilha.

"A razão fundamental deste acampamento não era agredir a Colômbia, seu objetivo fundamental era o processo de libertação de outro grupo (de reféns das Farc) que iria para o Equador".

O presidente destacou que esta "fórmula de recuperação" dos reféns pelo território equatoriano tinha a aprovação do presidente do Equador, Rafael Correa.

Declarações de Uribe

Para o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o relatório divulgado nesta quinta-feira pela Interpol sobre os computadores apreendidos junto ao líder guerrilheiro Raúl Reyes demonstra que seu governo atuou com "transparência" e "boa vontade".

"A Interpol disse de maneira contundente que a Colômbia não alterou os computadores e que a polícia agiu com transparência, de acordo com os protocolos internacionais", afirmou.

Encontro em cúpula

Chavéz e demais chefes latino-americanos participam nesta sexta-feira (16) da 5ª Cúpula América Latina, Caribe e União Européia. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, ao chegar a Lima, que não se pode descartar a possibilidade de haver pontos de tensão nos debates entre os chefes de Estado.

Entretanto, ele destacou que nunca houve um momento de tanta democracia na América Latina e tocou em um assunto polêmico ao falar das Forcas Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"É verdade que pode ter uma ou outra tensão, mas é verdade que temos democracia aqui como jamais tivemos em nenhum outro momento histórico. Hoje, com exceção das Farc, você não tem nenhum grupo propondo luta armada, você não tem guerrilha, você não tem terrorismo e você tem os países construindo a democracia. É isso que interessa", afirmou Lula.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Bush critica Ahmadinejad e fala em defender Israel

Foto: Larry Downing/Reuters
Larry Downing/Reuters
Bush e Olmert conversam durante passeio a Massada, ponto histórico e turístico de Israel, que fica perto do Mar Morto (Foto: Larry Downing/Reuters)
O presidente George W. Bush lembrou nesta quinta-feira (15) o terror do nazismo para garantir aos israelenses e aos judeus que o apoio dos Estados Unidos é "inalterável" e que com os americanos são "mais de 307 milhões contra o Hamas, Hezbollah e Irã".

Bush acusou o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, de querer levar o Oriente Médio para a época medieval e afirmou que permitir que o Irã tenha armamento nuclear seria "trair de forma imperdoável" as futuras gerações, segundo o discurso que fará na tarde desta quinta-feira na Knesset (Parlamento israelense), antecipado pela Casa Branca.

"A aliança entre nossos governos é inalterável", garante Bush.

O presidente americano também critica a visão do mundo do movimento islamita palestino Hamas, do movimento xiita libanês Hezbollah e da rede terrorista Al-Qaeda, além do presidente ultraconservador iraniano, que segundo Bush "sonha em levar o Oriente Médio à Idade Média e que pede que Israel seja apagado do mapa".

"A população de Israel talvez seja de pouco mais de sete milhões. Porém, quando se enfrenta o terror e o mal, somos 307 milhões porque os Estados Unidos estão ao lado de vocês", afirmou.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Em dia de Bush em Israel, foguete explode dentro de shopping

Explosão ocorreu na cidade de Ashkelon, que fica a 15 quilômetros da Faixa de Gaza.
Pelo menos dez pessoas ficaram feridas.

Um foguete explodiu nesta quarta-feira (14) dentro de um shopping na cidade de Ashkelon, cidade litorânea que fica a 15 quilômetros ao norte da Faixa de Gaza.

Pelo menos três pessoas ficaram feridas gravemente, sendo duas crianças e a mãe de uma delas, segundo informações do hospital Leah Malul de Barzilai, em Ashkelon. Outra duas estão em condições de observações e mais cinco pessoas ficaram feridas levemente. A rádio do Exército disse que o foguete atingiu o terceiro andar do shopping Hutzot.

Foto: Reuters
Equipes de resgate de Israel trabalham na área do shopping destruída por um foguete na cidade de Ashkelon, perto da Faixa de Gaza .

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ursos pandas de famosa reserva da China se salvaram do terremoto

Foto: Liu Jin/AFP
Liu Jin/AFP
Foto tirada em março de 2006 mostra pandas comendo na reserva chinesa atingida pelo terremoto desta segunda (12) (Foto: Liu Jin/AFP)

Mais de 80 ursos pandas gigantes do parque natural mais famoso da China, a reserva Wolong, estão sãos e salvos após o terremoto que atingiu nesta segunda-feira (12) a região central do país asiático e matou milhares de pessoas, informou a imprensa estatal.

Os animais da reserva estão bem mesmo depois do terremoto de 7,9 graus na escala Richter, cujo epicentro foi localizado na província de Sichuan (sudoeste), exatamente onde se localiza o parque natural de Wolong, informou a agência Xinhua.

Até o momento, no entanto, não foram contabilizados todos os 130 pandas gigantes, espécie ameaçada de extinção, que vivem na reserva.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Investigação do caso Madeleine passou pelo Brasil

Foto: Divulgação

A investigação sobre o desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann, que sumiu há um ano quando estava com a família em um resort de Portugal, passou pelo Brasil. A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) já recebeu cinco pistas que partiram do país ou que indicavam a presença da garota no Brasil. Mas, até agora, nenhuma delas ajudou a encontrar Madeleine, que faria 5 anos nesta segunda-feira (12).

As informações sobre as buscas pela garota foram confirmadas ao G1 por Marília Moreira Marques, uma das delegadas da Interpol em Brasília.

Segundo ela, a maioria das denúncias contidas no dossiê do caso Madeleine no Brasil, que tem cerca de 40 páginas, foi feita no ano passado e passava pelo Rio de Janeiro.

Em 11 de maio de 2007, por exemplo, "um homem identificado como Mark ligou para a Inglaterra dizendo que tinha visto uma garota parecida com Madeleine numa feira de livros na Cinelândia, no Rio de Janeiro", contou ao, em entrevista por telefone, a delegada Marília Moreira.

Segundo ela, a denúncia foi encaminhada ao Brasil, investigada e nada foi constatado. O homem havia dito que a garota estava acompanhada de uma mulher e que as duas entraram em um bar. "Na investigação, as pessoas do bar não se lembravam da passagem da menina e também não havia câmeras de monitoramento que ajudassem na apuração", disse a delegada.

As outras denúncias, feitas tanto de dentro quanto de fora do Brasil, também não levaram a nenhuma hipótese concreta que ajudasse a encontrar a menina.

Outras pistas

Em junho do ano passado, um médico aposentado disse ter visto uma menina loira de olhos claros andando próximo à rua Vinícius de Morais, no Rio de Janeiro. Também em 2007, a polícia recebeu outra ligação de uma pessoa dizendo que tinha visto Madeleine na Rodoviária Novo Rio (RJ). Outra possível pista veio através de uma ligação, vinda do Brasil, dizendo que a garota estaria na Ilha de Malta, no Mediterrâneo.

O chefe da Interpol no Brasil, Jorge Pontes, a informação de que uma denúncia, feita há um mês e meio, ainda está sendo averiguada pela polícia - e por isso não pode ser revelada. "Só podemos dizer que um passageiro informou que teria visto a menina em um vôo para São Paulo", disse. Essa informação partiu de uma embaixada estrangeira no Brasil, que a Interpol prefere não especificar para não atrapalhar as investigações.

Trotes

As denúncias infundadas e os trotes atrapalham o trabalho da polícia, disse a delegada, que afirmou que muitas ligações são recebidas e que todas são avaliadas. O dossiê da Interpol no Brasil sobre o caso listos detalhes de cada denúncia enviada a Londres e a Portugal e das possíveis pistas vindas de outros países.

A Interpol tem atualmente 186 países membros e, no Brasil, trabalha com 20 policiais federais e quatro delegados.

Quem tiver pistas sobre o paradeiro da menina britânica pode entrar em contato com as representações regionais da Interpol nas superintendências da Polícia Federal de cada estado.

1 ano sem Maddie

O desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann, que completaria 5 anos nesta segunda-feira (12), comoveu o mundo e levou seus pais a uma campanha global pela sua busca.

Foto: Arte / G1

Ela sumiu no dia 3 de maio de 2007 enquanto dormia com seus irmãos, gêmeos de dois anos, num quarto de hotel de um complexo turístico da Praia da Luz, no Algarve, em Portugal. No momento de seu sumiço, seus pais, os médicos Kate e Gerry MacCann, haviam saído para jantar num restaurante próximo do local.

Depois de seguir inúmeras pistas, a polícia portuguesa abriu o leque de investigação. Sangue encontrado no quarto do hotel levou os peritos a acreditar que ela pode ter sido morta no local. Desde setembro, os pais também entraram na lista de suspeitos pelo desaparecimento e contrataram uma equipe de detetives particulares para ajudar no caso.

sábado, 10 de maio de 2008

Rússia realiza maior desfile militar desde o fim da URSS

8 mil homens e 110 veículos pesados passaram pela Praça Vermelha.
As atrações foram as baterias antiaéreas móveis e os mísseis de até 100 toneladas.

Foto: Peter Thomas/Reuters

A Rússia organizou nesta sexta-feira (9) o maior desfile militar do país desde a queda da União Soviética, com direito a mísseis nucleares e tanques na Praça Vermelha de Moscou, sob a alegação de comemorar a vitória de 1945 na Segunda Guerra Mundial.

A cerimônia contou com as presenças do novo presidente russo, Dmitri Medvedev, e de seu antecessor, Vladimir Putin, agora primeiro-ministro.

O ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, revistou as tropas do Exército, Aeronáutica e Marinha, vestidas com os novos uniformes desenhados pelo estilista russo Valentin Yudashkin.

Medvedev fez um discurso no qual advertiu para os "conflitos armados" provocados por "ambições irresponsáveis. "A história das guerras mundiais mostra que os conflitos armados não nascem por si sós; são desencadeados por aqueles que impõem suas ambições irresponsáveis aos interesses de países e de continentes, de milhões de pessoas", disse Medvedev em seu primeiro grande discurso como presidente da Rússia.

Atualmente, a Rússia vive um momento de tensão com os países ocidentais, especialmente com os Estados Unidos, que foram acusados várias vezes pelo ex-presidente Putin de ter uma postura unilateral e intervencionista.

O desfile desta sexta, que pela primeira vez nos últimos 18 anos conta com armamentos pesados, pretende "mostrar nosso crescente potencial em termos de defesa", afirmara Putin no início da semana.

Moscou não esconde a meta de recuperar seu papel no cenário internacional, apesar da postura resultar em crises com o Ocidente dignas da época da Guerra Fria e de uma crescente ameaça militar na Abkhazia, território separatista pró-russo da antiga república soviética da Geórgia.

Um total de 8.000 homens e 110 equipamentos pesados (tanques, baterias antiaéreas móveis e mísseis de até 100 toneladas) passaram pela Praça Vermelha, assim como 32 aviões e helicópteros.

A Rússia celebra a vitória na Segunda Guerra Mundial em 9 de maio. O conflito acabou na Europa oficialmente em 8 de maio, horário alemão. Porém, devido ao fuso horário já era 9 de maio na Rússia.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

‘Decepcionada’ com Mianmar, ONU diz que ciclone afetou 1,5 milhão de pessoas

Governo de Mianmar limita entrada de ajuda humanitária no país.
Ciclone deixou pelo menos 80 mil mortos, segundo o Exército.

As Nações Unidas estão “decepcionadas” com o comportamento do governo de Mianmar.

O sub-secretário da ONU para assuntos humanitários, John Holmes, disse que 1,5 milhão de pessoas foram “gravemente afetadas” pelo ciclone, que arrasou com o sul do país.

“Me sinto decepcionado com o progresso que obtivemos até agora. Alguma coisa avançou, mas não o suficiente depois do que aconteceu”, disse Holmes.

A Junta Militar, que governa Mianmar há 20 anos, autorizou a entrada aos poucos de alimentos, bebidas e medicamentos, mas está limitando o número de vistos para serviços de emergência colaborarem com as vítimas.

"A ONU fez um pedido coletivo e apresentou às autoridades (de Mianmar) uma lista de uma centena de especialistas necessários para enfrentar a situação", disse à imprensa Pierrette Vu Thi, subdiretora dos programas de emergência do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Vítimas

O ciclone Nargis matou cerca de 80 mil pessoas em sua passagem pela localidade de Labutta, sudoeste de Mianmar, disse uma autoridade militar nesta quinta-feira (8) à agência de notícias "France Presse".

Na quarta-feira (7), autoridades norte-americanas disseram que pode haver mais de 100 mil mortos.

A TV Mianmar, fonte oficial de notícias sobre danos e vítimas, não atualizou os dados de terça-feira, que davam conta de 22.464 mortos e 41.054 desaparecidos. O Nargis foi o ciclone mais devastador na Ásia desde 1991, quando uma tempestade matou 143 mil pessoas em Bangladesh.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Mianmar já tem 22,5 mil mortos por ciclone

Cerca de 41 mil pessoas estão desaparecidas.
Foi o pior ciclone na Ásia desde 1991, quando 143 mil pessoas morreram em Bangladesh.

O violento ciclone no delta do Irrawaddy, em Mianmar (antiga Birmânia), provocou uma gigantesca onda que deixou as pessoas sem ter para onde fugir, matando pelo menos 22,5 mil e deixando 41 mil desaparecidos, disseram autoridades nesta terça-feira (6).

A passagem do ciclone "Nargis", no ultimo sábado, causou a queda de alguns prédios do centro de Yangun e deixou Mianmar incomunicável com o exterior devido a avarias no sistema de telecomunicações. Segundo dados da CIA, a população do país é de 47,7 milhões.

Segundo a agência de notícias France Presse, o presidente norte-americano, George W. Bush, pediu nesta terça-feira (6) que a junta militar que controla Mianmar "permita que os Estados Unidos envie ajuda." Agências de ajuda disseram que centenas de milhares de pessoas estão desabrigadas e sem água no país governado por uma junta militar.

"Mais mortes foram causadas pelo maremoto do que pela tempestade propriamente dita", disse o ministro de Auxílio e Recolocação, Maung Maung Swe, em entrevista coletiva na devastada Yangun, antiga capital do país, onde já começa a faltar água e comida.

"A onda tinha até 3,5 metros de altura e inundou metade das casas em aldeias baixas", disse ele, oferecendo a primeira descrição detalhada do ciclone do fim de semana. "(Os moradores) não tinham para onde fugir."

Foi o pior ciclone na Ásia desde 1991, quando 143 mil pessoas morreram em Bangladesh

Foto: AFP
Imagem tirada pela Real Força Aérea da Tailândia mostra a destruição na cidade de Yangun, nesta terça-feira (6)


O ministro da Informação, Kyew Hsan, afirmou que as Forças Armadas estão "fazendo o seu melhor", mas analistas viram na tragédia um golpe para o regime militar da antiga Birmânia, que se orgulha da sua capacidade de lidar com qualquer problema.

"O mito que eles projetaram de serem bem preparados foi totalmente varrido", disse o analista político Aung Naing Oo, que fugiu para a Tailândia depois da brutal repressão a uma rebelião em 1988. "Isso pode ter um tremendo impacto político em longo prazo."

Foto: AP
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Homem descansa embaixo de árvore que foi derrubada após passagem de ciclone em Yangon, Mianmar (Foto: AP)

Por causa do desastre, a Junta Militar decidiu adiar para 24 de maio um referendo constitucional nas áreas mais atingidas de Yangun e do vasto delta do Irrawady. De acordo com a TV estatal, no resto do país o referendo está mantido para o dia 10.

O objetivo é aprovar um "mapa para a democracia", muito criticado nos países ocidentais, especialmente depois da sangrenta repressão a uma rebelião liderada por monges budistas em setembro passado.

Arroz

O governo de Mianmar, que há 50 anos era o maior exportador mundial de arroz, disse ter estoques suficientes do cereal para alimentar a população, apesar dos estragos nos armazéns do delta.

O chanceler da Tailândia, Noppadol Pattama, reuniu-se em Bangcoc com o embaixador birmanês, que lhe disse haver 30 mil desaparecidos por causa do ciclone Nargis.

"Os prejuízos foram muitos maiores do que esperávamos", disse o chanceler. O embaixador Ye Win não quis falar a jornalistas.

Foto: Arte/G1

Fontes da ONU dizem que centenas de milhares de pessoas ficaram desabrigadas por causa dos ventos de até 190 km/h e do maremoto subseqüente.

Habitualmente recluso, o regime militar desta vez aceitou a ajuda internacional, ao contrário do que fez depois do tsunami de 2004 no oceano Índico.

Bernard Delpuech, funcionário humanitário da União Européia em Yangun, disse que a Junta Militar enviou três navios com comida à região do delta. Quase metade dos 53 milhões de birmaneses vive nos cinco Estados atingidos pela tragédia.

A mídia, controlada pelo regime, não se cansa de mostrar soldados em atividades heróicas e simpáticas, mas, numa população ainda marcada pela repressão de setembro, há uma inevitável sensação de revolta.

"O regime perdeu uma oportunidade de ouro para enviar os soldados assim que a tempestade parou, para conquistar o coração e a alma das pessoas", disse à agência de notícias Reuters um funcionário público aposentado. "Mas cadê os soldados e a polícia? Foram muito rápidos e agressivos quando houve protestos nas ruas no ano passado."

A ONG humanitária World Vision disse na Austrália ter recebido vistos especiais para enviar pessoal para ajudar os seus cerca de 600 funcionários em Mianmar.

"Isso mostra como na cabeça do governo birmanês isso é grave", disse Tim Costello, diretor da organização.

Uma lista de mortos e desaparecidos em cada cidade, lida pelo general-ministro Nyan Win, cita 14.859 vítimas fatais no delta do Irrawady e 59 na Grande Yangun, a maior cidade do país, com 5 milhões de habitantes. Quatro dias depois do ciclone, a antiga Rangum continua sem eletricidade, e os moradores fazem fila para comprar água engarrafada.

Os preços dos alimentos, dos combustíveis e dos materiais de construção dispararam. Velas e pilhas se esgotaram na maioria das lojas. Um ovo custa três vezes mais do que custava na sexta-feira.

Previsão

O serviço de meteorologia da Índia informou nesta terça-feira que preveniu a vizinha Mianmar 48 horas antes da chegada do ciclone "Nargis", informou nesta terça-feira (6) a agência de notícias France Presse.


"Quarenta e oito horas antes do Nargis atingir (Mianmar), fornecemos às agências birmanesas o ponto de impacto (do ciclone), sua gravidade e todos os assuntos vinculados", declarou à agência o porta-voz do departamento indiano de meteorologia, B. P. Yadav, um organismo público vinculado à Organização Meterológica Mundial (OMM).

"Nosso trabalho consiste em emitir advertências por antecedência e estamos orgulhosos de termos advertido com tanto tempo de antecedência. Havia tempo suficiente para adotar medidas de precaução como a evacuação", disse Yadav.

A OMM vigia a evolução das tempestades ciclônicas no Oceano Índico, no sul e sudeste asiáticos.

domingo, 4 de maio de 2008

Autonomia de Santa Cruz é votada hoje na Bolívia

Foto: Andres Stapff/Reuters
Andres Stapff/Reuters
Bolivianos contrários ao referendo queimam urna confiscada de local de votação, em Santa Cruz (Foto: Andres Stapff/Reuters)

Um clima de tensão predomina na Bolívia neste domingo (4), quando eleitores residentes no rico departamento de Santa Cruz vão votar se este estado poderá ganhar autonomia em relação ao governo central em La Paz.

O referendo é um conflito declarado ao presidente socialista Evo Morales. As autoridades de La Paz já avisaram que não reconhecerão o voto.

Simpatizantes do presidente boliviano uma das cidades do departamento de Santa Cruz, para tentar coibir a votação no plebiscito.

As Forças Armadas do país declararam neste domingo (4) que o estatuto de autonomia em votãção "afeta a segurança e a defesa nacional do Estado boliviano."


A província do leste do país, onde estão concentrados os principais campos de gás e as grandes propriedades agrícolas, conclama domingo seus moradores a se pronunciarem em favor de um estatuto de autonomia que lhe permitiria administrar seus recursos e criar sua própria polícia.

O movimento é considerado ilegal e separatista pelo governo de Morales, primeiro presidente boliviano de origem indígena e grande admirador da revolução cubana, cujo programa prevê o fim dos latifúndios e a redistribuição dos recursos do gás às populações pobres dos Andes.

"Trata-se claramente de uma manifestação para um Estado independente", alertou na noite de quinta-feira o ministro da presidência, Juan Ramon Quintana, braço direito de Morales, considerando que a questão da terra "é o maior problema".

Segundo as últimas pesquisas, mais de 70% da população de Santa Cruz deve aprovar o novo estatuto de autonomia.

Neste sábado, o presidente do Equador, Rafael Correa, avisou que vários países da região também não reconhecerão a autonomia de Santa Cruz e denunciou "tentativas separatistas" apoiadas por elites equatorianas e venezuelanas.

"O que está acontecendo na Bolívia não é uma ação isolada, mas uma ação que tem o apoio de países estrangeiros que querem desestabilizar a região e das elites separatistas de Guayaquil e de Zulia, na Venezuela", sustentou.


Foto: Arte/G1
Arte/G1
Santa Cruz, no centro-leste da Bolívia, tem cerca de 2,5 milhões de habitantes. (Foto: Arte/G1)

Segundo o presidente equatoriano, aliado de Morales, os grupos de direita que atuam contra os governos de esquerda da região "formaram uma confederação separatista autônoma" para "criar Estados próprios onde possam promover o neoliberalismo e aplicar políticas imperialistas".

A Organização dos Estados Americanos (OEA) manteve uma reunião de emergência nesta sexta-feira em Washington. "Defendemos a preservação da unidade nacional e da democracia, e queremos evitar a violência", afirmou o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.

Votação

Declarado inconstitucional pelo Tribunal Nacional Eleitoral, o referendo de domingo foi validado pela Corte eleitoral de Santa Cruz. "Tudo está pronto para o referendo de domingo", afirmou o presidente da Corte eleitoral de Santa Cruz, Mariano Orlando Parada.

Entretanto, não é certo que todos os 930 mil eleitores da região tenham acesso às urnas, sobretudo em alguns feudos de camponeses fiéis a Morales, como San Julian ou Cuatro Canadas.

"Vamos instalar barreiras nas estradas. Esse referendo não vai acontecer", anunciou Paulino Parapaino, um dirigente indígena, lamentando que sua comunidade não tenha sido consultada para a redação do estatuto de autonomia.

"Qualquer urna que chegar a San Julian será destruída", advertiu Ernancio Cortez Mendez, um líder local.

Chefe da "Confederação dos colonizadores da Bolívia", uma poderosa organização camponesa, Fidel Surco avisou que os organizadores do referendo "serão responsáveis por um banho de sangue".

As forças da ordem não preveram um esquema de segurança específico para o referendo, o que aumenta o risco de violência neste país mais pobre da América do Sul acostumado aos tumultos.

Durante o referendo, guardas particulares deverão garantir a proteção das urnas.

Situada na região centro-leste do país, Santa Cruz abrange uma superfície de mais 370 mil km², quase equivalente ao território do Japão e próxima aos pouco mais de 400 mil km² do Paraguai, país com o qual faz fronteira no sudeste.

O departamento tem importantes recursos minerais, como a jazida de ferro de Mutún, uma mina gigante situada perto da fronteira com o Brasil, e alguns centros de exploração de hidrocarbonetos (produziu mais de dois milhões de barris de petróleo em 2006).

Seus cerca de 2,5 milhões de habitantes representam quase um quarto da população boliviana e seu Produto Interno Bruto é aproximadamente um terço do nacional, com uma média de US$ 1.300 por habitante em 2006.

Cidade mais próspera

A capital, Santa Cruz de la Sierra, é a cidade mais próspera da Bolívia, o que no país com menos recursos da América do Sul significa que "apenas" um terço de sua população vive na pobreza, contra dois terços do restante do estado, segundo números oficiais.

Neste departamento, onde segundo o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, "a pobreza tem cor de pele", um terço dos habitantes são indígenas, uma proporção menor do que no restante do país, onde os "nativos" representam quase 50% da população.

Foto: Aizar Raldes/AFP
Aizar Raldes/AFP
O governador de Santa Cruz, Ruben Costas, responde a perguntas dos jornalistas em uma coletiva de imprensa neste sábado (3) (Foto: Aizar Raldes/AFP)
A história recente do autonomismo de Santa Cruz tem seu marco central no referendo de julho de 2006, realizado em todo o país, quando 73% dos moradores deste departamento votaram no "sim" à autonomia.

As regiões de Beni, Pando e Tarija também apoiaram o processo autônomo, o que não ocorreu nos demais departamentos: La Paz, Oruro, Chuquisaca, Cochabamba e Potosí.

No mesmo dia em que os moradores de Santa Cruz apoiaram a autonomia, mais da metade dos eleitores do país deu a vitória nas urnas ao governista Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, no pleito à Assembléia Constituinte.

O projeto aprovado no fim de novembro do ano passado pela maioria governista dessa Constituinte, e que quase não contou com a participação da oposição na controvertida reta final de suas reuniões, está estagnado e pendente da realização de dois referendos para sua ratificação.

A "Constituição do MAS", como denomina a oposição, prevê vários níveis de autonomia: departamental, regional, provincial, municipal e o indígena.

Mas este modelo de descentralização administrativa não satisfaz as aspirações dos líderes da oposição regional, e especialmente os de Santa Cruz, que atribuem a atual conjuntura exatamente "ao fracasso" da Assembléia Constituinte.

"É uma Constituição racista e hipócrita, que reconhece as autonomias mas quer destruí-las", afirma o advogado constitucionalista Juan Carlos Urenda, um dos ideólogos do Estatuto de Santa Cruz, que situa a origem deste movimento na pouca participação que a região teve na fundação da República da Bolívia, de apenas 10%.

Na sua opinião, o MAS "nunca entenderá como seus funcionários foram irresponsáveis na Constituinte ao desobedecer o mandato (do referendo pela autonomia de 2006) de maneira sumamente displicente".

Apesar de tudo, Urenda reconhece que existe na Bolívia uma "conjuntural dessincronização normativa que necessariamente tem de desembocar em um grande acordo que estipule uma norma nacional".

sábado, 3 de maio de 2008

Três suspeitos de fraude no BNDES têm prisão decretada no início de processo

Três acusados de fraudes em financiamentos do BNDES tiveram a prisão preventiva decretada nesta sexta-feira (2). Foi aberto processo na 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo para julgar 13 investigados na operação Santa Tereza da Polícia Federal.

O juiz Márcio Ferro Catapani rejeitou o pedido de prisão contra um advogado que também é conselheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele é suspeito de ter atuado pela liberação dos empréstimos.

A procuradora da república Adriana Scordamaglia pediu as prisões dos quatro suspeitos por avaliar que há indícios de destruição de provas e uso de poder político para desqualificar a investigação. Um outro acusado que seria dono de uma casa de prostituição já estava com a prisão preventiva decretada, mas está foragido.

O Ministério Público Federal também pediu que uma cópia integral do processo seja enviada para o Supremo Tribunal Federal e para o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Um prefeito e um deputado, com foro privilegiado, suspeitos de envolvimento com a quadrilha, só podem ser julgados por essas instâncias superiores da Justiça. Ambos foram citados em várias conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial pela Polícia Federal.


A Operação Santa Tereza começou com uma investigação no ano passado sobre uma casa de prostituição, em São Paulo, para apurar denúncias de envolvimento dos responsáveis pelo estabelecimento com tráfico de seres humanos. No entanto, a polícia também descobriu indícios de atuação da quadrilha em crimes contra o sistema financeiro.